A Gato come

Uma ida ao Revolução

Associo a palavra “Revolução” a uma mudança abrupta no estado das coisas e dos nossos comportamentos mas acredito que a mesma pode ser feta em ambiente de bonomia. Curiosamente, ou não, o Revolução fica no 1º andar da Associação 25 de Abril e promete proporcionar essa mudança (abrupta ou não) na forma como podemos conhecer e provar o que de melhor e mais simples existe na Gastronomia Portuguesa.

Se houvesse dúvidas, o calor na receção (muito por culpa do Rodrigo Meneses) e a leitura do menu faz-nos antever que esta Revolução se irá fazer pela positiva, embora com sangue. Confusos? Continuem a ler.

Os parceiros de negócio Nuno Diniz e Rodrigo Meneses sabem que uma Revolução não se faz sem pessoas e não hesitam em promover uma maior valorização do produto e do produtor, aqui perfeitamente expressos quando decidem distribuir uma carta concisa e bem elaborada, destacando os produtores de cada um dos ingredientes chave utilizados. Em paralelo, a equipa assegura simultaneamente a sala e a cozinha, com o plus de saberem sempre a resposta a todas as nossas dúvidas.

O que comeu a Gato?

Os croquetes de fumeiro (uiiiii!) e pataniscas com açorda de ovas para entrada. De seguida, uns filetes de pescada de Inês Dinis e arroz de berbigão feito com arroz Ronaldo produzido na Herdade de Portocarro, logo seguido de um a massada de peixe e bivalves como se faz em Vila do Bispo.

os croquetes!
filetes de pescada de Inês Dinis e arroz de berbigão
massada de peixe e bivalves

Carnívora me confesso, “passei” por Paços de Ferreira para comer o galo estufado (da casa dos capões de Miguel Pereira) em vinho do Douro e arroz de forno e como a fome ainda não estava dissipada arranjou-se espaço para uma alheira grelhada do Talho de Sidónio Fontes de Vila Real com batata Laura e espigos de Fernando Pires (Famalicão).

alheira grelhada do Talho de Sidónio Fontes de Vila Real com batata Laura e espigos
galo estufado (da casa dos capões de Miguel Pereira) em vinho do Douro e arroz de forno

Como se vive um período de desconfinamento gradual, também foi de forma “gradual” que parti para as sobremesas: 1º, o pudim marfim (que não sei de onde vem mas também não tenho palavras além de “incrível” para o descrever), 2ª, a tigelada de Lousã, 3º, o leite serafina e, por fim, o sarrabulho doce de Mondim de Basto (aqui está o sangue). Ou seja, não ficou nenhuma sobremesa de fora e apenas a vontade de voltar.

pudim marfim

leite serafina
sarrabulho doce
tigelada de Lousã

Viva (o) a Revolução!

Leila Gato

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