A Gato come

Ajitama

Falhei o Ajitama quando ainda era um Supperclub e eu não estava na lista das quase duas mil pessoas que esperaram para ir ao novo restaurante, já lá vai um ano.

Mas como diz um dos gastro-ditados da Gato, “melhor do que um ramen à mesa são dois ramens no bucho”.

O espaço deslumbra, de dia e de noite, mas parece que é de noite que as estruturas de madeira ganham a sua verdadeira forma de ovo que percorre todo o espaço e o próprio balcão.

De serviço atencioso e descontraído, sou convidada a sentar à mesa e eis que vejo que sobre o balcão estão pequenos jogos de Tetris e Arcade que me deixam pelo beicinho. Uma das funcionárias, atenta, recolhe dois exemplares e entrega-me em mãos “pode jogar enquanto espera pelo seu almoço”, uma ação que tem tudo para correr mal pois demorei o dobro do tempo para fazer o meu pedido.

Sim, o meu nome é Leila Gato e sou viciada em Tetris e Pac-man.

O que comeu a Gato?

Comecei pelas gyozas, apresentadas de forma invertida, ou seja, a base virada para cima, permitindo apreciar os vestígios da reação da massa à chapa quente. No seu interior, um recheio suculento e rico que tornou o início de almoço auspicioso.

Logo de seguida deu entrada na mesa, nasu dengaku que é como quem diz, a beringela. Não sou fã de beringela, porém comi uma vez uma no Tamawashi que me deixou rendida e desde então tenho-me aventurado mais, e foi o que fiz aqui também. Não vou compará-las, são ambas ótimas e diferentes e não é esse o propósito destas linhas, mas as do Ajitama conquistaram-me.

A textura da beringela tostada no forno, barrada com pasta de miso e servida com cebolo é uma verdadeira viagem do gosto. De sabor meio adocicado, apenas deixaria a beringela permanecer mais uns minutos no forno (mas isso sou eu que tenho por vezes gostos peculiares por texturas muito passadas).

O Shio, o clássico do Ajitama nos seus tempos de Supper club feito através de um caldo de 5 horas de galinha e peixe. O dashi aliado aos vestígios da galinha são a combinação perfeita, entre terra e mar para acolher todos os ingredientes que vão ecoar do fundo das nossas taças. São eles, o chashu de barriga de porco, o cebolo, o ovo, os cogumelos enoki, a cebola frita, um mix de três sais japoneses e ainda ito togarashi, uma pimenta servida em fios que deslumbram o olhar e dão um punch a este ramen.

Um hakata tonkontsu (o meu favorito) feito com um caldo de porco, e por isso de sabor mais marcante, durante 18 a 20 horas em lume brando. Ou seja, este é um tipo de ramen em que o tempo é o seu maior aliado. Os seus ingredientes chave são o chashu de barriga de porco, o cebolos, os cogumelos pretos kikurage e o ovo. A estes ingredientes é ainda adicionado mayu um óleo preto de alho que para quem adora o travo a alho, eleva este ramen a outro patamar.

O que faz a diferença num ramen? O caldo e o tempo e o amor que lhe é dedicado para apurar todos os sabores e sucos do que este é feito. É aqui que reside a riqueza de um prato aparentemente simples, mas cuja simplicidade esconde a génese de toda a sua indelével feitura.

Embora já estivesse para lá de satisfeita, ainda tive direito a uma fatia de bolo de chocolate e gengibre, o ponto de exclamação perfeito para um almoço com tudo no devido lugar.

Entretanto parece que há novidades no Ajitama e ramens mais picantes! E vocês sabem que a Gato não consegue resistir a um desafio destes não sabem? Quem se junta a mim?

Almoço a convite do Ajitama e da Zomato (benefício por ser Cliente Zomato Gold).

Leila Gato

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