A Gato come

O Velho Eurico

Petiscar. Esse verbo delicioso.

O Velho Eurico, abriu portas no Verão passado, num antigo espaço (agora renovado) com o mesmo nome e que tem “casa cheia” noite após noite. E porquê? Porque servem pestiscos e pratos tradicionais em versão “mini”, sem grandes empratamentos ou artifícios e afinados pelo feedback dos clientes que, ao final do dia, são “quem mais ordena”.

Do velho espaço fica pouco, segundo a conversa que tivemos com um dos donos que estava de serviço nessa noite. “Além de restaurante, havia ali uma mercearia”. Toda a remodelação foi feita pelos dois Chefs (José Paulo Rocha e Fábio Algarvio), um motivo de orgulho, revelado pelo brilho nos olhos de Fábio que nos fez uma tour, já de madrugada, a poucos minutos de encerrar o restaurante naquele sábado.

O (novo) Velho Eurico apela a todos os gostos, mas são maioritariamente os turistas que por ali passam e fazem fila. Quando não têm lugar, os seus nomes vão para uma ardósia por ordem de chegada, Fábio conta-nos que “há pessoas que esperam ao frio mais do que uma hora por uma mesa”. Já os portugueses que habitam nas redondezas, mais desconfiados, ainda confundem o novo com o antigo e ainda mostram fotos do Tripadvisor de pratos de bacalhau que já não se servem. É uma questão de tempo até se habituarem, provarem e gostarem!

Antes de prosseguir, apenas quero referir que todas os apontamentos menos positivos foram referidos ao Chefe no final da refeição como notas de melhorias, mas que em NADA mancharam a refeição!

O que comeu a Gato?

“Um pãozinho, um azeite e umas azeitonas”

Confesso que se tiver de salientar um ponto menos feliz será este (podem confirmar se lerem o texto até ao fim). Um pão um pouco seco e sensaborão que coloca a fasquia um pouco baixa. Ponto a melhorar, na minha opinião.

Croquetes de borrego

Rechonchudos e agradáveis aos olhos. Fica-lhes em falta um molho que os complemente e lhes faça justiça. Como foram servidos muito quentes houve ali algo que se perdeu no primeiro namoro no interior da minha boca, mas pouco tempo depois de recuperar o sentido do gosto, percebi que estavam bem executados, carnudos e com ótima textura, apesar de um pouco salgados (o que não é costume, segundo sei).

Chocos com tinta

Perfeitos que só eles.

Ensopado de javali

Um dos preferidos destes comensais. Carne suculenta que vem num molho que fez libertar todos os seus sucos e aromas. E leva pão frito…tudo fica bom com pão frito, convenhamos.

Arroz de pato

Embora o mais tradicional seja um arroz mais seco (de forno), a Gato prefere esta versão mais “caldosa”. Não se deixem enganar pela textura da primeira camada de arroz (obtida no forno) porque o interior estava cremoso, embora pudesse – no meu gosto pessoal que não é o do típico devorador de arroz de pato – ter ainda um pouco mais de cremosidade. Se os croquetes estavam um pouco salgados, este arroz precisava de um empurrão. Não obstante, o arroz não veio demasiado cozido, nem com vestígio de qualquer secura. Um feito difícil de atingir em muitos restaurantes.

Bacalhau à Brás

Cremoso (quase sedoso) e bem temperado. Costuma ser aquele prato que de tão fácil se torna difícil porque todos nós já temos um preferido (que costuma ser feito por algum familiar e que comemos desde pequenos). Este estava ao nível dos melhores que já provei e isso já é dizer muitíssimo, mesmo não sendo a maior fã da receita (sou Gato de outros “bacalhaus”)!

Migas de farinheira

Foi o nosso segundo couvert enquanto não chegavam os restantes pratos. Sobre este ponto, de salientar que o tempo de serviço foi ótimo tendo em conta o número de pratos que pedimos e o facto de estar uma casa cheia. Não esperámos muito por nada mas também não vimos a mesa ficar assoberbada com imensos pratos, como por vezes acontece.

Arroz de cabidela (de sobremesa)

Não nos apeteceu um doce (embora já tenha ouvido falar maravilhas sobre a mousse de chocolate) pelo que optámos por terminar com…cabidela.

E terminámos em grande. Uma cabidela não muito avinagrada – aqui me confesso: eu gosto delas um pouco mais “puxadas” ao vinagre – bem caldosa e temperada!

Afinal não terminámos…ainda vinha aí uma prova (quase) cega de licores caseiros “experiências” da casa em que os Clientes servem de cobaias voluntárias. Abóbora e aipo, laranja, melão, mas já houve de camarão e de alho. Esquisito? Sim, mas nisto de comer os preconceitos são barreiras que aos poucos podemos ir ultrapassando para enriquecer as nossas “prateleiras” do gosto!

Verdade, verdadinha: estou com imensa vontade de voltar e o regresso é mais do que merecido – até porque parece que há umas iscas que têm mesmo de me passar pelo estreito!

Quem se quer juntar?

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Leila Gato

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