A Gato come

Fúria do Mar – Campo de Ourique

Alguns saberão (outro não) que a memória é uma coisa linda – mas também capichosa – no que refere a más experiências com marisco. Uma “nocte horribili” há dois anos, deixou sequelas graves na vossa Gato. Desde então, sentir o aroma a marisco pela via retronasal tem sido um processo longo de descontrução dessa má experiência até conseguir voltar a saborear e conviver com pessoas numa marisqueira.

Tendo em conta esta cara, nem parece certo?

Foi por isso, muito determinada, que entrei porta adentro da Fúria do Mar, para mudar de vez, as regras do jogo! A Fúria do Mar é uma marisqueira em Campo de Ourique que abriu portas no Verão passado. Outrora havia ali um outro restaurante, também de marisco, mas com uma filosofia e ambiente diferentes, de acordo com a conversa tida com os simpáticos funcionários do espaço.

Da anterior gestão, apenas se mantém o cozinheiro que lidera uma cozinha ampla e que manuseia os “filhos” do mar com mestria. Aliás, o primeiro destaque para esta marisqueira vai para a qualidade do seu peixe e marisco, trazido diariamente para a marisqueira e com aquários de meter inveja a muitos espaços da cidade.

O restaurante é composto por dois pisos amplos, perfeitos para grandes e longos convívios, num espaço que revela cuidado nos apontamentos decorativos e que convida a estar.

O que comeu a Gato?

Casco de santola

O primeiro teste da Gato! E correu bastante bem. Normalmente, não é o meu tipo de escolha, mas estava bem conseguido. Porém devo dizer que o meu enamora neste estilo de pratos é o pão torrado, que aqui é de comer e pedir por mais (muito mais).

O pão é cortado finamente e barrado abundantemente com manteiga (tal como a Gato gosta) e além de guloso, eleva o sabor do marisco a um outro patamar. Sim, podíamos ficar a falar durante horas sobre estas torradas porque #comampão

Para acompanhar o jantar, pedimos um branco Ribeiro Santo (do Dão, pois claro). Durante oserviço do vinho, fomos trocando dois dedos de conversa com o gentil funcionário do espaço sobre alguns segredos bem guardados de regiões vinícolas do nosso país. Aliás, simpatia e familiariedade, são dois atributos mais do que justamente concedidos a todos os funcionários do Fúria do Mar.

Amêijoas à Bulhão Pato

Só vos digo que não nos passam muitas amêijoas com este sabor, tamanho e consistência muitas vezes pelo estreito em Lisboa.

Canilhas, camarão de Espinho e camarão da Costa

Não sendo eu uma pessoa muito entendida sobre a matéria, aqui me confesso: as canilhas são do caraças. Este pequeno búzio encantou-me pela riqueza da sua textura, aroma e sabor.

Sopa rica de peixe

E que rica sopa de peixe. Daquelas que conforta no Inverno. Repleta de peixe e marisco, massa e batatas cozinhadas nos seus sucos e que só por si faz quase uma refeição completa. E escrevo “quase” porque ainda guardámos espaço para uma aventura mais cárnea…

Pica pau do lombo

O último ato desta refeição (que foi tão recheada que não me deixou espaço para a sobremesa). A carne parecia veludo quando cortada. O molho estava apuradíssimo com a quantidade certa de alho e louro e repleto de sabor. Sim, um pica pau como poucos que tenho provado.

Acompanha com batatas fritas em rodelas finas caseiras daquelas que viciam e que dificilmente conseguimos carregar no botão para desligar a vontade de as levar à boca.

Para quem estiver à procura de um espaço onde possa comer peixe, carne e marisco (claro) de qualidade, o Fúria do Mar torna-se numa excelente opção.

Não cheguei às sobremesas, ficará para uma próxima, mas pelo que vi, a sericaia e o bolo de bolacha estão a liderar a corrida em direção ao meu estômago.

Voltando ao ponto inicial deste texto, considero-me curada do trauma “marisqueiro”!

Esta opinião que vos trouxe, deixou-vos curiosos? Venham daí esses comentários, questões ou opiniões, caso já lá tenham ido.

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Leila Gato

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