A Gato come

Fogo de Alexandre Silva

Era talvez a abertura mais aguardada do ano.

Pelo menos para mim que vou assistindo ao trabalho do Alexandre Silva com muita atenção. Recordo-me como se fosse hoje de o ver chegar junto à mesa onde eu estava sentada, no antigo Bocca, para me apresentar a sua “nuvem elétrica”, deixando-me de tal forma baralhada como inebriada com a sua criação. Na altura, eu sabia ainda menos do que sei hoje sobre cozinha molecular e ter a oportunidade de provar “a nuvem” foi uma das minhas primeiras experiências num restaurante tido como fine dinng. Obrigada por me abrir o palato e a mente para novas experiências culinárias.

No Fogo, o registo é totalmente diferente. Felizmente, o Homem evoluiu e a comida hoje não só nos permite sobreviver como tirar o melhor partido da vida (à vida). Aqui cozinha-se com o primeiro elemento usado para se alimentar e sobreviver e saborear os alimentos com mais sabor.

No Fogo, há um forno e muitas labaredas na sua cozinha aberta que nos permites vislumbrar o trabalho árduo da equipa exposta a altas temperaturas durante todo o seu serviço. Há um serviço feito por funcionários simpáticos, prestáveis e atentos a todas as solicitações da vossa Gato. A única nota menos positiva que dou foi o curto tempo entre o couvert, as entradas e a raia e no extremo oposto, o muito tempo que se passou até chegar o borrego (e o seu arroz). Fora esse detalhe de timing que em nada, repito, em nada manchou o meu jantar, só posso dizer bem do serviço dos funcionários que se mostraram sempre disponíveis para tornar a noite memorável. E assim foi.

O que comeu a Gato?

Pão em forno a lenha

A minha expectativa era alta para provar este pão. Para mim, um pouco mais encruado do que aquilo que gosto, mas mesmo assim tive direito a refill para poder chafurdar à vontade nas molhangas que pratos que pedi. O pão é de trigo barbela e chega-nos à mesa com azeite, manteiga e flor de sal, pickles caseiros da estação e rillette de porco. Sim, comecámos muito bem!

Sarrajão na brasa em escabeche fresco

O escabeche estava saborosíssimo. Tal como o sarrajão, fresco e de carne firme. A vantagem de cozinhar com alimentos e ingredientes de qualidade é que depois fica imensa margem para se ser criativo, sem que isso implique que o sabor dos alimentos passe para trás das cortinas. Assim é com esta entrada.

Raia grelhada com molho de manteiga e alho, com flor de espinafres e batata a murro

Mais uma vez, pela frescura do peixe e pela forma como nos chegou cozinhado no ponto, só me fez salivar por mais.

Borrego assado no forno com o seu arroz (de forno)

O prato de comida de conforto. Carne tenra e suculenta que se desfazia sem grande esforço. A Vossa Gato quase que levou os ossos à boca com as próprias mãos, mas algum decoro demoveu-a (porque quero voltar sem ser olhada de esguelha). Sim, estava bom a esse ponto. Quanto ao arroz, eu só o achei um pouco seco para o meu gosto, mas estamos a falar de arroz de forno, pelo que isso já tem mais que ver com gosto pessoal e não como a forma correta como o arroz deve ou não deve ser apresentado.

Vinho, mantenho-me pelo Dão e descobrimos o equilibrado (e com uma ótima relação qualidade preço) Quinta da Rebôtea e que se mostrou na companhia perfeita para a nossa noite.

O que ficou por provar? Bem, tanta coisa! O arroz de frango e o chambão de vaca. As sobremesas e os cocktails. Mas calma que já tenho segunda visita agendada para o próximo mês!

Estão com vontade de conhecer o Fogo?

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Leila Gato

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