A Gato come

Água pela Barba – Bica

Dar água pela barba é sinónimo de coisa trabalhosa mas curiosamente aqui é sinónimo de descomplicação ao mais alto nível.

E isso começa logo pela carta, não muito extensa e feita de pratos “grandes e pequenos” com a indicação de que aqui é tudo para partilhar. Só temos de escolher entre grandezas, miudezas e vegetarianos.

Quando cheguei ao Água pela Barba fiquei com mixed feelings e por breves momentos pensei que o que tinha lido sobre este restautante/petiscaria não fazia jus ao nome, tendo o atendimento sido um pouco frio à entrada. Porém, nisto da restauração não são só os primeiros momentos que contam, pelo que decidi sentar-me e pedir uma água enquanto aguardava pelas restantes convivas.

Com o passar dos minutos e depois de apreciar o espaço que remete para o ambiente piscatório, construido perto do mar para abrigar marinheiros remediados, comecei a mudar a minha opinião enquanto absorvia a dinâmica do serviço e o ambiente proporionado.

E como correu a petiscada?

Arroz de berbigão e algas com salmão braseado

Há várias opções de pratos com arroz no menu, todas elas que só pela descrição davam vontade de mergulhar lá dentro. Queríamos o risotto de açafrão e camarão mas infelizmente não estava disponível, pelo que optámos por este.

Um arroz de berbigão muito “competente” na apresentação e no sabor. Não meteu água e deu-nos aquela experiência de mar que tão bem sabe nestes dias que o verão já está à espreita. Para mim só faltava um pouco mais de cremosidade para não ficar tão “aguado” mas é um mero pormenor porque se tivesse um pedaço generoso de pão aquele molho não me escapava!

Partilho as bebidas das convivas que brindaram a sonhos, ideias, afinidades e outras tantas coisas boas de celebrar. Eu, fiel ao meu copo de vinho tinto, optei por um Dona Maria 2015, as restantes estavam numa bebidas mais frescas e veranis e escolheram o “Amarguinha sour” (à direita) e um gin “Água pela barba” (à esquerda). À vossa!

Ceviche misto com salmão, pampo e puré de batata doce

O meu prato favorito do almoço. Pela apresentação tanto na originalidade como na conjugação dos ingredientes e do salmão e do pampo. Para quem gosta de ceviches mais substanciais esta é de comer e ponderar uma dose extra. Vem servida numa pequena terrina repleta de cor que nutre o organismo só de olhar para ela.

Bao de sapateira

São baos mais “aportuguesados” e sem aquela cor típica dos baos asiáticos – muito sinceramente, também não me parecem ter essa pretensão. A escrever esta linha acabo de me aperceber que as palavras “bao” e “pão” são muito parecidas, será coincidência?

Não vos consigo é fazer uma descrição limpa de preconceito porque estou para lá de um ano e meio a batalhar contra um trauma provocado numa marisqueira que me proporcionou uma descida ao inferno de Dante e o qual ainda não consegui ultrapassar. Sim, é grave, só o cheiro me provoca náuseas. De qualquer forma comi este bao na tentativa de o poder apreciar devidamente. O que senti foi um misto de sensações antagónicas, mas tentando fazer uma análise mais “limpa” de preconceito tem um sabor muito fresco conferido pelo bem temperado molho de sapateira (partilhando uma memória muito pessoal, o meu pai adorava fazer molho de sapateira lá em casa e foi ele que ensinou a receita à minha mãe).

Pois bem, mais que aprovado este Água pela Barba. Só não fui ao round das sobremesas porque o almoço se prolongou tanto que estas acabaram entretanto!

Leila Gato

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