A Gato come

Pigmeu – Campo de Ourique

Lembram-se disto? “Ele é um porco! E você pode ser também!” No Pigmeu é quase igual, por isso se gostam de sujar os dedos e lambê-los a todos, então preparem-se porque aqui há #porcaria e não é pouca!

Levei demasiado tempo a visitar o Pigmeu, demasiado porque aqui parece que há #detudomporco pelo que deixo já o aviso aos vegetarianos, veganos e companhia mais sensível: Não continuem a ler este texto se o vosso coração chora por cada porco que se come no mundo. A Gato também chora, mas é por cada porco feliz que lhe escapa no prato.

Ali para os lados de Campo de Ourique há um sítio com um ambiente e pessoas lá dentro que nos fazem sentir como se estivéssemos em casa. Há coisas que não se explicam, simplesmente sentem-se dentro das nossas vísceras (de porco, naturalmente).

O menu do Pigmeu está pensado para pessoas que se dedicam à arte de petiscar. A estrela da companhia é aquele a quem vou chamar de o Sr. Porco que é trazido para aqui depois de ter tido uma vida bonita e dele se fazer (quase) tudo o que se serve.

E falando em #porcaria, vamos lá ver então que petiscos foi a Gato provar:

Já sabem a minha opinião sobre o couvert que aqui se chama de “aconchego”. Há que provar sempre para aferir se o resto da noite vai estar mais próxima do Bom ou do Ótimo. Este é composto por uma taça de pão e tostas caseiras que vieram acompanhadas de uma manteiga de alho (que acho que leva banha mas não garanto), também ela caseira e um paté de porco – as primeiras presenças do Sr. Porco à mesa, ainda que tímidas. Couvert alinhado com a expectativa alta!

Logo, logo, a Gato viu-se metida num caso bicudo com algumas das “miudezas” que aqui se servem como é o caso do Picapau de Tubarão com pickles caseiros.

Se a Gato até se punha a comer Tubarão, pois que punha porque ela não se nega (a quase) nada. Mas e se o “Tubarão” se transformar em túbaros do animal mais amado deste lugar e estes vierem para a mesa, tenros, apurados e com muitos coentros? Pois, a Gato come sem qualquer arrependimento e com muitoooo prazer.

Menção honrosa para os pickles caseiros que nos proporcionam o contraste devido ao palato e nos fazem ter vontade os fazer também nas nossas casas.

Os Croquetes do Pigmeu

Croquetes é coisa que nunca escapa à prova da Gato. Não sei qual foi a alminha da porca que pariu o porco que serviu de recheio ao croquete, mas avé maria cheia de graça se não são dos melhores croquetes que já provei (e olhem que eu provo bastantes).

Não está aqui em causa se são os melhores da cidade, esse tipo de julgamento é sempre injusto, mas uma coisa vos garanto, se gostam de croquetes carnudos e repletos de carne suculenta no seu interior e sem ponta de gordura na sua crosta, então venham daí aporcalhar-se no Pigmeu.

Estava já a Gato rendida quando vieram para a mesa os Pezinhos de coentrada migados com raiz de coentros. Meus amigos, se a matéria prima é de qualidade, o trabalho na cozinha deve estar de mãos dadas com a subtileza: basta fazer com que os sabores próprios dos produtos venham ao de cima. O resto, os nossos sentidos (os 5) fazem por nós. Trincar uma raiz de coentros é só das coisas mais maravilhosas desta vida.

De salientar ainda todos os legumes que serviram de acompanhamento e que faziam parte dos próprios pratos que pautam todo o menu de cor e sabor, oriundos da Herdade do Freixo do Meio, uma cooperativa de agricultura biológica.

Ainda no meio dos pezinhos chega-nos à mesa um dos pratos que mais feliz me fizeram nos últimos tempos.

A Tiborna de porco com nabos

Lida no menu, esta tiborna não parece ter nada de atípico, porém aqui o típico pão é substituido por finas fatias de torresmos que servem de leito crocante para o nabo fresco e húmido que ao chegar à nossa língua é só uma experiência emocional (podem ver o porquê da Gato se ter emocionado aqui) e emocionante para os restantes. Obrigada por isso, Pigmeu.

Depois desta viagem de carrossel ao baú das minhas memórias, foi a vez de chegar a um dos momentos mais aporcalhados da noite:

A Sandes de Barriga com cebola, couve e kimchi

Caríssimos, a Gato chafurdou nesta sandes, mergulhou no prato, lambeu os dedos várias vezes e beliscou-se para perceber se a sandes era real ou um daqueles sonhos em que imaginamos que ficamos fechados num supermercado só para podermos comer o que quisermos!

Esta sandes desconjuntada tem tudo no sítio certo: a quantidade de porco, o kimchi que lhe dá aquele toque mais condimentado e ensopado pelo miolo do pão e o contraste fresco garantido pela cebola. Bravo!

Nota máxima até então para o serviço sempre simpático, divertido e pedagógico do Alberto Teixeira.

Alto lá que vem aí o Pudim do Abade (o do Rei Miguel Oliveira)

Veio ter à mesa pelas mãos do simpático Miguel Azevedo Peres que cortou uma generosa fatia à nossa frente enquanto comungávamos a devoção pelo pudim abade de priscos do Rei Miguel Oliveira e sobre a obsessão que o levou a conseguir aprimorar a receita, tornando-a inigualável. E achava eu que o pudim era uma novidade do Pigmeu… não, já aqui é residente há bastante tempo!

Meus caros, raramente dou nota máxima a um espaço, o Pigmeu vai diretamente para o meu Top de preferidos por uma razão muito simples, é bom, do princípio ao fim.

e para o café, bolachas com banha de porco

O difícil nestas coisas de julgar é encontrar a excelência porque as falhas estão sempre ao virar da equina, eu não dei por elas, essa é que é essa.

a “dolorosa” que menos me custou pagar nos últimos tempos
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Leila Gato

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