A Gato come

Cruel – Baixa (Porto)

Ir ao Porto significa duas coisas: comer bem e voltar a comer bem em muito boa companhia!

Aproveitei uma breve estadia na Invicta para ir ao muito bem cotado e super recomendado Cruel com uma amiga “do Porto” numa noite tão animada que tivemos de ser simpaticamente expulsas do restaurante (sim, acontece-me com alguma frequência).

Começamos pelo nome: “Cruel” é possivelmente um dos meus nomes de restaurante preferidos de sempre! A palavra, além de melodiosa, encerra um sem número de possibilidades para explorar um conceito, sendo algo que este lugar faz muito bem.

Avancemos para a carta! Esta divide-se em 4 linhas, para quem teme, para quem não quer temer, para quem nada teme e para quem soma e segue. Ou seja, temos uma carta pensada para agradar a “gregos e troianos” que só têm de escolher e combinar os pratos da vossa predileção!

E quais foram as crueldades da noite?

Pão, azeitonas marinadas e manteiga “cruel” para abrir o apetite (que na realidade já era muito grande)!

Depois vimos chegar-nos à mesa uns cogumelos com queijo
de cabra queimado e compota de pimentos
.

A esta altura já estava a Gato a pensar onde é que tinha ido parar o copo de vinho tinto Infiel que tinha pedido no início. Houve um esquecimento do outro lado que foi incrivelmente remediado com um “olhe, para lhe pedir desculpa vou encher-lhe bem o copo” e assim foi, tive direito a um copo muitíssimo “meio cheio” – cenas à Porto!

“Confiançudos” estes cogumelos. Sim, começámos por um daqueles pratos fáceis de gostar, não me souberam pela vida, mas é uma combinação de que gosto muito e vinham acabadinhos de fazer e gratinar!

Risotto de cogumelos em alucinação

O risotto estava muito, mas mesmo muito, do agrado desta comensal. Este é coberto por katsuobushi ralado, ou seja, lombo de atum seco, que com o calor do arroz se mexem como estivessem vivos, o que é sempre um deleite visual e divertido para uma noite de jantar de grupo.

O arroz apresentava-se bastante húmido, bem guarnecido de cogumelos no seu interior e cozido no ponto. Um prato reconfortante e que confirmou as suspeitas de que a comida é levada muito a sério neste lugar.

Bochechas de porco coradas, confitadas e grelhadas com batatas a murro e saladas

Quando a carne é de qualidade não é preciso muito para que a refeição seja feliz. Esta apresenta-se cozinhada de forma curiosa repartindo-se em três processos, corada, confitada e finalmente grelhada. Ou seja, as bochechas chegam-nos ao prato como um género de escudo que esconde no seu interior um segredo aveludado e suculento para #meatlovers.

Os acompanhamentos são também simples: umas batatas a murro perfeitas e uma salada de alfaces e tomate cherry – aqui trocava apenas a salada por uns legumes para tornar o prato mais reconfortante – mas são gostos!

Torre de chocolate (em que podemos escolher a medida da nossa ambição medrosa, cautelosa ou cruel)!

Como a cozinha estava prestes a fechar nem nos perguntaram qual a medida que queríamos mas a confirmar pelas fotos acharam que ainda estávamos com larica pelo que nos veio este prodígio para a mesa.

Chocolate lovers acusem-se que este bolo do demo foi feito a pensar em vocês, seus sacaninhas! São camadas e camadas sem fim de chocolate tanto na massa, como no recheio e cobertura.

Terminámos com café para ir saboreando o bolo enquanto os sons de um restaurante que se prepara para fechar vai ganhando peso (mas nunca sentimos qualquer pressão para terminarmos feita de forma rude).

Que boa surpresa que encontrei no número 86 da Rua da Picaria, uma rua populada de espaços modernos e cativantes e onde o Cruel firmou, e bem, o seu lugar pelo seu conceito, serviço e comida que mostra que a crueldade é um prato que tanto se pode servir frio como quente desde que seja com simpatia e profissionalismo!

Cruel Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Leila Gato

2 thoughts on “Cruel – Baixa (Porto)”

  1. Só uma correcção, o que eles metem em cima do risotto é Katsuobushi ralado, ou seja, lombo de atum seco, e não lascas de cogumelos. Mas sim, é um risotto óptimo 😉

    1. Olá Luís!
      Obrigada pela correção (já atualizei o artigo).
      Acredita que perguntei o que era mas que com o barulho no restaurante percebi mal a resposta que me foi dada?!
      LG

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