A Gato come

Varanda Azul – DEaR – Restelo

Há uma varanda em pleno estádio do Restelo com vista para o Tejo que nos convida a comer, beber e a… repetir.

Gosto sempre de conhecer restaurantes que são coerentes nos vários elementos que corporizam o seu conceito. No Varanda Azul, esta coerência passa pela decoração do espaço, simples mas requintada, no seu serviço, prestável e ágil, e no seu menu, contemporâneo e versátil.

Nunca tinha visitado este espaço, mas fiquei a saber durante o jantar que conta com uma nova gerência (a mesma da Petiscaria Matateu e que fica mesmo ao lado dentro do espaço do estádio).

O menu tem várias opções e está descrito de forma muito curiosa e que aguçou (e bem) a curiosidade da vossa Gato. Vejamos então os escolhidos deste jantar:

Já sabem a minha opinião sobre couvert, certo? Se não sabem (vão lá reler alguns textos anteriores), volto a frisar: é uma das melhores formas de perceber se o resto do jantar vai estar à altura daquilo que promete!

O Pão & as Tostas, a Tapenade enfrascada, a Manteiga composta e o Azeite aromatizado

Que é como quem diz, o pão fresco de Mafra e as tostas caseiras de pão de abóbora e noz, a pasta de azeitonas e alcaparras, a manteiga de ervas e tomate seco e o azeite com vinagre balsâmico e flor de sal que fizeram da palavra “entretém” (enquanto não chegam as proverbiais entradas) um momento auspicioso.

Os Croquetes a Jogarem em Casa

Eu cá não sabia como é que eles jogavam, mas estava com ganas de perceber pelo que os pedi sem hesitar. Vieram quentes e acabados de fritar, sem pingo de gordura, bem recheados de vitela, suculentos e com uma “armadura” crocante. Apresentam-se servidos com mostarda “antiga” que faz lembrar aquele sabor tradicional das mostardas da minha infância. Bem, só vos digo que comi um mas bem que podia continuar “em jogo” noite fora só com esta entrada. Mal acabei de os provar, vi-me metida num (novo) 31.

Então não é que veio para a mesa…

O Queijo francês no Pomar do Oeste

Que é como quem diz, o chèvre ligeiramente gratinado servido com uma pequena concha de massa filo que guarda uma pêra rocha embebida em vinho do Porto e aromatizada com a suavidade da alfazema. Uma das pessoas da mesa disse que a partir de agora, sempre que voltasse ao Varanda Azul teria de comer esta entrada, pelo que só por aqui conseguem perceber o número de fãs que esta entrada ganhou, assim de caras!

Veredito: uma entrada muito bem conseguida não só em termos da simbiose de sabores como pela forma como as diferentes texturas se entrecruzam no palato.

E os eleitos como pratos principais foram:

O Camarão em Itália

Que é como quem diz um risotto de cogumelos e espargos com camarão. Risotto é daqueles pratos que têm tudo para ser a primeira escolha por ser “fácil de gostar” mas em que tudo pode correr mal, o que vai desde a escolha dos ingredientes, ao tempo de cozedura do arroz, passando ainda pela “mão fraca” para a quantidade de sal. Neste caso, nada a apontar negativamente. Aliás, pelo contrário, arroz no ponto, equilibrado, com um “punch” apimentado que surpreende! Sim, a Gato ficou mais do que convencida com a sua escolha.

O Bacalhau na Planície

Quem é como quem diz o bacalhau confitado em cama de batata ao sal, com couve kale, ovo a baixa temperatura e “terra” de azeitona. Este é uma daquelas criações aparentemente simples em termos dos sabores, embora com alguns twists, como é o caso da couve kale que pela sua crocância torna uma opção menos óbvia mas que resulta para lá da perfeição. Neste prato, só alterava talvez um pouco a apresentação para que todos os ingredientes se ligassem de forma melhor conseguida.

As Bochechas de Porco na Madeira

Que é como quem diz as bochechas de porco preto com polenta de alecrim, o tomate confitado e o vinho da Madeira. Comer bochechas assim dá gosto. Macias e que se desfazem na boca, bem temperadas. A polenta e o aroma a alecrim deram-lhe aquele toque de “comfort food” tão ao gosto dos portugueses.

E há espaço para sobremesa? Não só há espaço como há vontade para provar “os mais doces à saída”!

A Banana e o Caramelo Salgado

Que é como quem diz o crumble de banana com caramelo salgado e natas. Não sou a maior fã de banana, vá em abono da verdade, não aprecio minimamente esta fruta. Mas nisto do comer já me conhecem como aventureira e após a primeira colherada percebi (mais uma vez) que quanto mais se come e prova, melhor se apuram os sabores na boca e mais pontos sensoriais se ficam a conhecer. As diferentes texturas desta sobremesa conferem-lhe uma grande riqueza, a mesma riqueza reveste-te também na apresnetação, pensada e cuidada.

O Crème Brulée e a Aguardente de Mel

Que é como quem diz o dito do crème com espuma de aguardente e mel e frutos vermelhos. Foi como provar um pequeno pedaço de céu, achei a textura deste crème diferente dos típicos que tenho provado (a vida toda), o sabor de baunilha é bem marcante e o contraste com a espuma de aguardente e mel dá-lhe a nota da surpresa que agradou todos os comensais.

Já peceberam que a nota sobre o Varanda Azul será muito positiva por tudo o que descrevi e é uma nova recomendação da Gato. Depois do jantar que aqui tive só me falta voltar para almoçar e poder tirar todo o partido daquela vista para belo Tejo enquanto aproveito para tirar a prova dos 9 em relação a outras opções da Carta e penso seriamente se elevo a nota 4.5 para 5 na Zomato.

Varanda Azul - DEaR Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Leila Gato

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