A Gato come

Arroz de Sarrabulho – Fábrica Musa

Pois que a iguaria nunca me tinha passado pelo estreito. Pois que a provei num “Almoço na Fábrica” promovido pela Cerveja Musa em Marvila.

O espaço que dá lugar à fábrica reserva ainda uma zona de bar em que são feitos pequenos concertos e eventos com um Programa mensal e no qual se podem provar todas as cervejas da marca e picar alguns petiscos.

Parece que os Domingos são para uns dias de descanso, mas para outros são dias de almoço na Cerveja Musa e, neste caso, a dupla Leonor Godinho e Edgar Bettencourt trataram de fazer o seu 12º almoço neste lugar: um arroz de sarrabulho que só não me fez rezar um Avé Maria, porque não sou assim dada ao culto religioso.

Para abrir as hostilidades, pedimos duas cervejas Musa: a Twist and Stout e a Mick Lager.

Falemos sobre o couvert: se o pão é da Terrapão, então já estamos a iniciar a coisa de ótima forma. Este pão artesanal, aquele de sabor azedo como a Gato gosta e que vem direitinho da loja situada no Mercado de Arroios, fez as delícias e abriu o apetite para o que ainda estava por vir. Sobre esta padaria já vos escrevi aqui.

Além do pão, tivemos direito a azeitonas marinadas e azeite e a uma manteiga de enchidos: tiros certeiros no palato do coração da vossa amiga Gato.

E antes do convidado da honra… os rojões e as belouras!

Sobre os rojões, nada a salientar, bem cozinhados mas totalmente secundarizados pelo que estava quase, quase a chegar-nos à mesa.

No entanto, reservemos umas linhas às Belouras. Belouras é um tipo de pão. E tratando-se de pão, a coisa merece uma atenção especial da minha parte. Pelo que consegui apurar, as belouras são um tipo de pão feito com mistura de farinhas de trigo, centeio e milho e que são amassadas com nada mais nada menos que: SANGUE DE PORCO!

E o Arroz de Sarrabulho, pá?

Cá está ele em todo o seu esplendor. Paremos uns segundos para apreciar devidamente a foto que se segue.

O prato foi feito por um “nativo” de Viana e proporcionou-me uma daquelas experiências gastronómicas que normalmente só encontro quando viajo pelo país (principamente quando rumo ao Norte que é coisa para acontecer todos os anos, sem exceção).

Este arroz vem recheado de carnes, miúdos e enchidos cozinhados durante horas e horas, ou seja, a paciência neste tipo de pratos é uma virtude e “apurar” é o verbo que melhor se liga a esta ação. E por causa disto, a cada garfada há uma lágrima invisível que quer rolar (rolling in the deeeep) rosto abaixo. De consistência densa, este é um daqueles pratos que alimenta ou não tivesse a receita nascido (dizem por aí) na Idade Média, numa altura de grande pobreza no país e em que o pão era a base da alimentação.

Não havendo forma de comprar algo tão caro como carne, as famílias com menos posse usavam o sangue oferecido de animais e começaram a usá-lo para cozinhar. Nesta altura faziam-se então as “papas de sarrabulho” que com o passar dos anos deram origem a uma variação do prato em que em vez do pão se usa o arroz. Uma maravilha isto de estudar um pouco sobre a Gastronomia dos povos!

E terminamos com: Creme brulê

Não sou a maior apreciadora desta doce, mas a verdade é que não deixei nem um pedacinho. Cremoso e com sabor “acitrinado” tornou-se no desefecho perfeito para um almoço de Domingo com bom ambiente e ótima comida. E sim, o quebrar do açúcar com as costas da colher é um som que tem tanto de sedutor como de enigmático (qual Amélie Poulain)!

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Leila Gato

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