A Gato come

Arigato – Campo Pequeno

Há umas semanas pedi recomendações de restaurantes japoneses “all you can eat” através do meu instagram. As sugestões não se fizeram demorar, sendo o Arigato uma das mais recolhidas, e aquela para a qual apontei a minha reserva.

Eu ainda sou do tempo em que o espaço do Arigato dava lugar ao Japa, um restaurante japonês de muito bom gosto, ao estilo minimalista e onde provei, pela primeira vez, uma fatia de sashimi (e sim, foi amor à primeira vista).

Agora, os tempos são outros e o Arigato já passou por diferentes formas de funcionamento que se vão adaptando ao público e às necessidades logítiscas e de rentabilidade.

Depois de vários anos a funcionar com regime de buffet, e onde a Gato foi várias vezes feliz, a modalidade é atualmente de rodízio, ou seja, sentamo-nos e esperamos que nos tragam sushi à mesa.

Para iniciar as hostilidades, podemos escolher sopa miso, yakisoba, tempuras, guiozas e todos os temakis que quisermos. Como sou uma Gato que gosta de sushi, pedi apenas a miso, as guiozas e dois temakis (salmão e philadelphia e salmão), porque estava a guardar-me para as estrelas principais.

Começa com desastre atrás de desastre

A sopa miso, salgada por demais.

As guiozas ressequidas e sensaboronas.

Os temakis foram feito por alguém que pegou numa folha de algo nori sequinha, sequinha, meteu para lá um bocado de arroz, uma colherada de queijo philadelphia e uns pedacitos de salmão que enrolou como se fosse um fish and chips e mandou servir. O que nos chega à mesa? Um temaki desconjuntado ao qual nem se deram ao trabalho de unir as extremidades para ser um…temaki.

Onde há fumo…

há sushi mais ou menos. O sushi chega-nos numa travessa com fumo de nitrogénio líquido – uma moda que vem da cozinha molecular e que agora se vê recorrentemente. Ao assistir àquele pequeno espectáculo digno de Houdini, pensei cá com os meus botões “vamos lá dar uma segunda oportunidade que eu venho cá é pelo sushi”. Mas o sushi é absolutamente normal, a travessa apresenta uma seleção relativamente variada de sushi, mas que não atingiu sequer os meus “mínimos olímpicos”, face ao aparato inicial.

Admito que esta crítica que aqui deixo tem muito que ver com aquilo que aprecio quando quero comer sushi com boa relação qualidade preço, relação essa que não encontrei no Arigato.

Outro factor que não me agrada na experiência tem que ver com intromissão de dois em dois minutos e meio de um colaborador (sempre simpáticos e atenciosos, sublinhe-se) a perguntar de travessa e espátula de metal em riste se queremos mais uma peça de gunkan com philadelphia e morango ou gunkan com batata doce. Às tantas, estamos ali com uns niguiris meio desfeitos no prato por causa das espátulazinhas que deambulam velozmente de mesa em mesa à procura do apreciador perfeito.

Veredicto final

Sabem a frase o problema não és tu, sou eu? Pois bem, aplica-se a cem por cento nesta experiência. Atenção que, embora eu não o tenha feito, é possível pedir variedades de sushi da nossa preferência, pelo que ninguém sai dali com fome, isso é garantido.

Abandonei o Arigato pouco convencida com o novo modelo de funcionamento e com o tipo de sushi servido: muito sushi de fusão que envolve philadelphia, morangos, banana e batata doce e que, mais uma vez, não é o tipo de sushi que procuro normalmente.

O Arigato parece ter um público fiel e pelo que observei, os clientes pareciam estar satisfeitos com a experiência. Peço que entendam estra crítica do ponto de vista do meu gosto pessoal. Quando vou a um restaurante deste género, procuro uma experiência ligeiramente diferente, daí a minha deceção.

Talvez noutra vida, Arigato. Até sempre!

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Leila Gato

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