A Gato come

The Danish Pastrish Shop (O brunch) – Queijas

O título deste texto bem que podia ser “Da Dinamarca com amor” porque a The Danish Pastry Shop é a prova de que as coisas feitas por e com Amor vingam e prevalecem.

Numa pacata rua de Queijas há um lugar elegantemente decorado na sua simplicidade e atenção aos pormenores de tons térreos e materiais a remeter para a natureza minimalista, como as madeiras e as peles de animal.

Este espaço é fruto do trabalho de Filipe Pereira e Katrine Andersen. Ele, português e ela, dinamarquesa. Juntos vieram para Portugal e decidiram criar um espaço que oferece uma imensa variedade de produtos feitos por eles. Dizia-me o Filipe aquando da minha visita que o que lhe interessa é “proporcionar experiências”, e caramba, se a experiência aqui não é de nos deixar com um sorriso na cara.

Os produtos que não são feitos por eles são sempre escolhidos a preceito: o chocolate que usam vem da Suiça e a manteiga é francesa por ter propriedades próprias que lhes permitem atingir determinados resultados, como é o caso das massas folhadas.

Mas e o que se serve?

Quando entramos, é dificil manter a concentração com a belissima montra. Todos os pães e bolos estão perfeitamente alinhados e seduzem-nos de forma natural. São bolachinhas, cheesecake de maracujá, croissants, brownies de chocolate branco, o salame de chocolate dinamarquês… querem mesmo que continue?

“Há pessoas que passam mais que uma vez por dia” diz o Filipe, alguns vão só buscar pão, outros vêm tomar o pequeno almoço ou lanchar…as pessoas passam a ser da família e é assim que o Filipe e Katrin quer que os clientes se sintam.

O brunch!

Ao longo do ano, a carta de brunch vai mudando de acordo com diferentes temáticas, usando produtos da época que remetem para as festividades, como foi o caso do brunch de Halloween e o de Natal (que infelizmente não tive o prazer de provar).

Em termos de bebidas, podemos optar por um sumo ou bebida quente, e eu optei por sumo natural de laranja espremida no momento e cenoura (mas também havia beterraba, pêra e maçã, sendo que podemos combinar os sabores que quisermos).

O meu sumo veio servido numa garrafa de vidro muito delicada e com tampa de cortiça que nos permite ir saboreando o sumo sem ficar em muito contacto com o ar, porque podemos tapar a garrafa sempre que queremos.

Aqui, começa-se pelos doces

Não sei se é tradção dinamarquesa, mas os doces foram servidos primeiro. Inicialmente estranhei (embora não tenha questionado), mas depois percebi pelo fluxo das restantes mesas – de uma The Danish Pastry Shop quase cheia – que esta ordem é a norma.

Uma panqueca dinamarquesa

Para os que são pouco conhecedores da gastronomia dinamarquesa (como é o meu caso) temos a primeira surpresa: a panqueca em vez de discos é uma esfera fofa por dentro e faz-se apresentar com um pouco de compota de framboesa. A massa da panqueca é doce q.b e a consistência muito bem conseguida, naquele frágil equilíbro entre o elástico e o macio.

Uma bolinha de whisky e café

Estas bolinhas assemelham-se a trufas e são uma excelente forma de terminar a refeição. Eu deixei-a para o fim porque me pareceu o toque perfeito para rematar o brunch. É consistente sem ser demasiado densa e o sabor do alcool não domina o doce, aliás o sabor a café é bastante notório, o que me agradou sobejamente. E não é que foi mesmo?

Um creme brûlée ao estilo dinamarquês

Também o deixei para a fase final do meu brunch. É servido num daqueles frasquinhos que nos remetem para os doces e compotas feitos pelas nossas mães e tias. O creme, mais uma vez, não é demasiado doce e tem uma consistência curiosa porque quando começamos a saborear vamos sentido diferentes texturas e aromas provenientes da canela e de pedacinhos de massa folhada que se vão envolvendo no interior da nossa boca. Sim, estão a imaginá-lo bem.

Entretanto chega-nos à mesa a minha seleção de salgados. O núcleo duro do brunch é servido numa bonita e elegante placa de mármore que é sem dúvida um toque diferenciador neste estilo de refeição.

Ovos mexidos com bacon e cebolinho

Mais simples é difícil. Os ovos são bem passados e bem temperados e a dose é bastante considerável. O bacon apresenta-se levemente tostado e saliento a qualidade do mesmo que conferiu a uns simples ovos mexidos uma avaliação ainda mais favorável da minha parte.

Salmão fumado em tosta de pão de cereais

O salmão é de elevadíssima qualidade e é fumado ali mesmo, o que, mais uma vez, faz toda a diferença quando provamos. Vem servido numa fatia fina de pão com alfaces, um pouco de naionese caseira, ovas e uma espécie de hóstia. Além de ser uma combinação de sabores muito bem pensada, a apresentação é muito feliz e reflete essa mesma harmonia.

Salada de alfaces, rabanetes e tomate cherry

A frescura que ajuda a contrabalançar com as opções escolhidas e com a qual vamos entremeando as garfadas gulosas entre os ovos mexidos e a tosta de salmão.

Estas foram as minhas opções, mas podem fazer diferentes combinações, como são o caso das batatas assadas com ervas ou o cachorro quente que pode ser escolhido no lugar da opção de salmão. Sim, vou ter de lá voltar para provar esta combinação!

No final, tive direito a um mimo surpreendente: um bolo de mousse. O Filipe explicou-me que este bolo demora cerca de 3 dias a ser feito, porque é usado sabugueiro na sua preparação. O sabugueiro é apanhado pelos próprios em Sintra e usado para fazer os cristais usados no seu interior.

Além de lindíssimo e fotogénico, este bolo é uma verdadeira experiência sensorial por tocar nos nossos vários sentidos. As diferentes texturas quando o vamos descobrindo e o deleite visual do seu exterior e interior traçam uma contida linha de curiosidade que vamos desvendando a cada garfada. Imperdível.

Para terminar pedi ainda um chá feito com hortelã fresca, o qual é servida num bule que fica à nossa disposição para nos irmos servindo.

Resumindo, pelo valor de 15 euros têm direito a todas estas opções (com a exceção do bolo de mousse) e uma refeição encantadora.

O espaço é muito amplo e children friendly tanto em termos do espaço em si como de condições, como são o caso das casas de banho com fraldário.

Curiosamente no momento em que estava a tomar o brunch recebi uma mensagem privada de uma seguidora a dizer que adorava este lugar e que os croissants era os seus preferidos – com “chocolate verdadeiro” pelas palavras da própria. Não os provei, mas não nego que fiquei com vontade, especialmente após uma sugestão espontânea e tão entusiástica!

Em jeito de despedida, devo dizer que saí do The Danish Pastry reconfortada a vários níveis. E digo isto porque considero que é cada vez mais dificil encontrar lugares e negócios que ainda ponham tanto amor, esforço e dedicação nos seus espaços. Curiosamente, tenho encontrado essa tríade de devoção em lugares fora de Lisboa que fazem do Amor o ingrediente essencial das suas criações, em vez de uma simples pitada algures durante a confeção dos pratos.

Site

Morada: Rua Cesário Verde, 39E
2790-495 Queijas, Lisboa, Portugal

Leila Gato 

The Danish Pastry Shop Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

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