A Gato come

The Decadente – Bairro Alto

Estávamos em 2017 e o feedback que tinha em relação ao The Decadente era francamente bom. Tão bom, que decidi lá levar um casal amigo que morava em Barcelona. Saí de lá profundamente deilsudida. Tão desiludida ao ponto de dar um 1.5 na Zomato.

Dois anos depois, escolhi voltar ao The Decadente para jantar, dando-lhe uma segunda oportunidade.

Reservei o restaurante para as 19.30 porque, pelo que percebi, continua a funcionar com regime de turnos e queria tirar o maior proveito em termos de tempo. Quando chegámos, poucas mesas estavam ocupadas, como seria de esperar numa Lisboa que janta sempre tarde. Reencontrei o mesmo estilo descontraído de outrora, fazendo justiça ao nome e optei por ficar na sala interior, já que o frio ainda não convida a uma longa permanência no terraço.

Então e o repasto?

O Q’Houver

Uma pequena cesta de fatias de pão e manteigas de sabores. Nada a apontar, mas também nada a evidenciar. O pão variado e fatiado, acabou por ser (bastante) usado na entrada! O que nos leva aos…

Camarões salteados

Apresentavam-se com um molho caseiro e um leve toque de picante e alho. Há sempre uma dúvida que fica a pairar no ar quando lemos a palavra “caseiro” num menu, porque à partida todas as opções são feitas “in house” (espero eu), o que torna desencessária esta informação.

De salientar a frescura do marisco fresco, acompanhado por um molho levemente picante (por mim, podia ser um pouco mais carregado), o qual foi quase todo sorvido com a ajuda do pão do couvert!

Portugal no Tacho

Como ainda sentia o fantasma de 2017 a pairar no ar, sugeri à minha companhia que provasse este arroz malandrinho com camarão, peixe, bisque de camarão e coentros, pois foi o que comi na altura e considerei-o muito bom (foi o que safou a minha refeição dessa vez).

Provei um pouco e achei que a qualidade se mantinha: um prato simples mas muito bem conseguido, com uma apresentação cuidada, a remeter para o típico por ser servido num pequeno tachinho que fica tão bem em qualquer mesa.

Magret de Pato

Como estava um pouco indecisa entre o magret e os secretos de porco preto, pedi ajuda à pessoa que nos estava a atender para decidir. Ela recomendou-me com grande prontidão o magret de pato e assim foi.

Devo dizer que quando o mesmo me chegou à mesa fiquei com mixed feelings. A apresentação, a meu ver, não é a mais feliz. O peito de pato é corado em azeite e é servido com demi glace e batata doce aos cubos. Pedi que não viesse muito passado e assim chegou ele, glorioso. Quanto à carne, nada a apontar, pelo contrário, muito tenra e suculenta quando combinada com o demi glace que lhe conferia uma espécie de “selo” pastoso e adocicado. Talvez optasse por outro tipo de acompanhamento, dado que este tipo de batatas também tem um sabor mais adocicado. De qualquer forma é um prato equilibrado e que reconforta, e isso era tudo o que precisava nesta noite.

A conversa ia mais que boa e pedia um vinho para acompanhar. Fiz uma escolha segura com o Casa da Passarella (Dão) “A Descoberta” – Tinto. Um vinho, na minha opinião, mais “seco” combinando vinhas maturadas e vinhas mais frescas e que tem na sua raiz como base as castas tradicionais Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen e Touriga Nacional. Sou apreciadora de vinhos desta região e já o conhecia, daí a minha escolha segura.

Chocolate Decadente

Um fondant de chocolate servido com gelado de baunilha e molho de frutos vermelhos, daqueles que cumpre o seu objetivo. O bolo derretia à medida que as colheres iam desbravando caminho para encontrar a bola de gelado e a pequena fonte de frutos vermelhos que escorria do seu topo.

Parece que fiz as pazes com o The Decadente, a ponto de remover a minha crítica antiga da Zomato para substituir por esta. Não vou além dos 3 (porque não existem pontuações intermédias e o 4 ainda não se justifica), mas é um progresso e a verdade é que penso lá voltar em breve e experimentar outros pratos. Quero apenas frisar que a gerência do restaurante teve em atenção a minha crítica anterior e responderam-me de forma pronta, agradecendo pela franqueza. Franqueza e transparência que quero continuar a ter e, por isso, vos digo que vou apagar a minha review antiga.

Com isto, recomendo-vos a que lá vão e tirem as vossas próprias conclusões. Uma coisa é certa, vão ter uma noite agradável num espaço muito cativante desta zona da cidade onder fervilham novos restaurantes com conceitos tão díspares.

Nota final: o The Decadente é um dos restaurantes parceiros da Zomato Gold, o que quer dizer que o segundo prato mais caro desta refeição saiu de graça. Por isso, se estão a ponderar subscrever, não se esqueçam que usando o meu código LEIL0362 têm 25% de desconto e talvez nos encontremos nalguns destes restaurantes ou num dos eventos privados que a Zomato organiza ao longo do ano.

Alguma questão, também podem falar comigo por aqui. 🙂

 

The Decadente Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Leila Gato 

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