A Gato come

Happy Comida Caseira – Venteira (a segunda visita da Gato)

Em 2018 encontrei no Happy Comida Caseira um lugar onde fui muito feliz tal como vos relatei aqui.

Este ano, tenho como objetivo para o blog, além de visitar novos espaços e contar-vos qual a minha opinião, regressar também a outros a que já fui e poder-vos dizer em primeira mão se a experiência, foi pior, igual ou melhor. Basear a nossa opinião sobre uma única visita não me parece justo dado que são tantas as variáveis que contribuem para o saldo final de uma avaliação. Por isso este ano vão encontrar bastantes #aSegundaVisitaDaGato pelo blog e instagram.

Feita esta pequena introdução, foquemo-nos no meu regresso a este restaurante e do qual já tinha muitas saudades e níveis elevados de expetativa renovados!

Poucos minutos depois de me sentar apercebi-me que o Happy se mantinha igual, e ainda bem! E se na última visita, provámos as inesquecíveis bochechas de porco preto e o bacalhau, hoje estávamos com apetite de carne.

Para começar…

Um cesto de diferentes tipos de pão, manteiga com coentros,queijo de nisa e umas apetitosas fatias de presunto foram-nos colocados na mesa para irmos entretendo o palato enquanto decidiamos qual a carne que iria ser vítima da nossa gula. Tal como da primeira vez, não resistimos a repetir os gelados salgados de bolinha de alheira e maionese agridoce. A apresentação é muito curiosa, mas o que deve ser salientado é a combinação dos sabres e texturas que fazem de uns simples (mas perfeitos) croquetes de alheira uma ótima forma de começar uma refeição.

Para evitar a secura das nossas bocas – a Gato não podia deixar isso acontecer – pedimos uma garrafa de vinho tinto Pêra-Grave, um tinto da zona do Alentejo que proporcionou um ótimo pairing com esta refeição. Em termos de notas senti sabores quentes como pimenta e cacau que perduraram na boca ao longo de toda a refeição (mas sou novata nos conhecimentos do vinho e portanto posso estar profundamente errada).

O meu marido já há muito que sabia o que queria: picanha maturada. Já eu, um pouco mais indecisa, acabei por pedir o costeletão. Nenhum dos dois se arrependeu, acreditem!

Primeiro: A picanha

Uma dose muito generosa de picanha maturada, mal passada, servida numa tábua. O que dizer? Quado a matéria-prima é de grande qualidade, o segredo é assar ao de leve e deixar os sucos fazerem o resto. A carne vinha tenra, saborosa e capaz de nos deixar com um grande sorriso de satisfação.

E se a picanha estava excelente, depois veio:

O superlativo costeletão

Este costeletão de boi chegou-me imperialmente numa tábua de madeira. E se pela picanha tive de sorrir, por este corte de carne quase que tive de vontade de soltar uma lágrima de emoção. Mais uma vez, foi-me apresentada uma carne, alta, sedosa e magnificamente mal passada, como havia pedido.

De acompanhamentos pedimos batatas fritas, arroz e uma salada, que só são difíceis de qualificar porque as carnes roubaram todo o espaço reservado a elogios.

No final da refeição conversámos um pouco com uma das caras do Happy, que simpaticamente nos falou sobre os desafios diários de gerir o restaurante, sempre com um grande orgulho e sorriso espelhados no rosto.

Como já tinha provado o cheesecake de caramelo salgado da primeira vez, perguntei-lhe o que me recomendava. Uma mousse de snickers mais tarde voltei a comprovar que o seu talento para sorrir é tão grande como para fazer doces. A recriação do sabor do caramelo, chocolate e amendoim deste típico chocolate da nossa infância e adolescência tem tanto de entusiasmante como de curioso, porque provamos algo que estamos tão habituados a saborear com um tipo de textura, para depois degustar uma mousse que nos transmite exatamente os mesmos sabores e sensações que temos incrustadas na nossa memória.

Nos dias que correm, encontrar na zona de Lisboa espaços que pratiquem preços justos face ao tipo de comida que apresentam é quase raro por uma série de motivos e condicionantes. Felizmente, descobri um lugar na Amadora que merece total reconhecimento, pela qualidade da comida que aqui é feita, pelo atendimento atencioso e carinhoso que nos é dado e pelos preços que pratica.

Muito se fala e escreve sobre restauração, mas nem sempre se foca a dificuldade que é manter um negócio aberto. Há rendas para pagar, concorrência para vencer, clientes para fidelizar, comunicação a elaborar, e no meio disto tudo tem de haver margem para criar, para suar atrás de um fogão e para prestar o melhor serviço possível.

No Happy Comida Caseira encontro tudo isso, e é por esse motivo que fico sempre tão encantada quando lá vou e sei que vou voltar muitas mais vezes!

Parabéns pelo excelente trabalho que estão a fazer!

Leila Gato 

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