A Gato come

A Cajada de Piódão

Há quem queira ardentemente conhecer todos os países do globo deixando o seu país para um segundo plano, já eu tenho mais apetite por conhecer Portugal e as suas histórias em torno da comida. Cada uma na sua! 🙂

Mal eu sabia, quando visitei a aldeia de Piodão há uns bons anos atrás, que esta aldeia presépio guardava um doce tradicional tão curioso: a Cajada de Piódão.

Para quem nunca visitou, Piódão é um conjunto de casario de pedra no concelho de Arganil onde vivem pouco mais de 50 pessoas, uma aldeia remota de povoação simpática e sabores fortes. Esta aldeia-presépio, como muitos lhe chamam, faz parte do roteiro das Aldeias históricas de Portugal e conta com poucas vias de comunicação e difíceis acessos. Um lugar tão enigmático que deu secretamente à luz um pequeno tesouro gastronómico.

A Cajada de Piodão

Hoje em dia, a cajada é feita em Côja numa pequena doçaria a cerca de 30 quilómetros de Piodão. A receita original leva mel (para conferir o sabor doce), castanhas e nozes, ou seja, açúcar (puro) nem vê-lo. Quando a levamos à boca, a massa quebra-se entre os nossos dentes que vão penetrando no seu interior macio, compacto e húmido.

O nome nasceu em jeito de brincadeira entre queijada e cajada. É que como este doce é feito com nozes e castanhas, era  “à paulada” com um cajado que as mesmas eram amassadas para ficarem numa massa uniforme.

Reza a História que muitos frades vinham de castigo para Piódão, devido ao seu isolamento, e seriam eles os conhecedores dos doces. Um desses frades foi o Frei Papinha que, pelo seu exagerado prazer pela comida, se abrigou por vergonha em Piódão e aí começou a fazer este doce. A receita, que se julgara perdida, foi então recuperada pela Tuxa, conhecida como a Padeira da Serra, que após muitas experiências conseguiu aprimorar e recriá-la.

Nunca saberemos se esta é uma daquelas fábulas que se criam para dar fama a um produto ou se estes frades foram mesmo os “culpados” deste pecado tão apelativo, mas seja como for, é sempre curioso conhecer as histórias e pontas de verdade que dão origem a tesouros gastronómicos.

Comprei uma embalagem destas “cajadas” num mercado de produtos tradicionais em Lisboa mas estas são feitas na Boutique da Tuxa e vendem-se um pouco por todo o país. Porém se quiserem prová-las no sítio onde nasceram, passem por Piódão, caminhem pelas suas pequenas ruas, escutem o silêncio daquele lugar tão enigmático e escondido do nosso país. Se preicsarem de dicas, “metam-se” comigo! 🙂

Leila Gato

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