A Gato come

Boa Bao – Lisboa-Chiado

Cerca de um ano após a sua abertura, decidi experimentar o Boa Bao. Em todos os canais online e de todas as bocas (daquelas que não se deixam ir em cantigas) li e ouvi boas críticas e ótimas recomendações, bem como alguns “avisos” que me deixaram alarmada. Mas esta Gato gosta de fazer sempre a prova real e perceber se tudo o que se diz por aí é devidamente fundamentado. Se no decorrer da leitura pensarem que achei a experiência menos positiva, convido-vos a lê-la até ao fim.

Aviso: Prepara-te para esperar! 

Decidi visitar o Boa Bao num dos piores dias da semana a uma das piores horas: Sábado à noite. Estava uma noite ótima, perfeita para esplanada e, como já tinha sido previamente avisada, havia toda uma multidão à porta de copo na mão a aguardar, uns com mais e outros com menos paciência de santo (sim, ainda vi um senhor a pôr as mãos ao alto enquanto deixava os joelhos enfranquecer após ouvir o número de pessoas que ainda tinha à sua frente).

Quando chegou a minha vez de pedir a mesa:

– “Boa noite, mesa para dois por favor!”

– “Tem 17 mesas à sua frente, quer esperar?”

– “E qual o tempo médio previsto de espera?”

– “Prevemos entre uma a uma hora e meia.”

Interiormente ainda pensei, “que se lixe, vou a outro sítio”, mas por outro algo me dizia que a espera iria valer a pena e que não teria de esperar muito. Talvez tenha que ver com os largos anos de experiência de Hard Rock em que a hora de espera resulta normalmente em menos de 15 minutos. E foi… igual, depois de nos darem o ticket para aguardar pelo nosso “voo”, nem dez minutos passaram quando chamaram pelo meu nome e me perguntaram se queria lugar na esplanada.

Por ter jantado por aqui, acabei por não usufruir devidamente do espaço interior, cujo ambiente, cores e sons remetem para a temática das viagens pelo mudo asiático, tanto quanto pude vislumbrar. Fica para uma próxima.

Recomendação: Os petiscos são soberbos

Com uma lista extensa, que vem num menu e carta de bebidas muito orginal com temas asiáticos e de viagem cuja premissa é “Let’s be adventurous”, comecámos a escolher os motivos da nossa aventura, sendo os dim sums os eleitos  para iniciar as hostilidades (andava com desejos).

Não se pode dizer que os dim sums estivesse maus, porque não estavam, mas também não consigo apontar nada que os distinga de outros que já provei em restaurantes menos afamados de Lisboa. Não eram mais saborosos, nem de textura mais surpreendente, não estavam frios, mas também não vinham àquela temperatura agradável à boca. Terminámo-los com a sensação de que talvez os baos tivessem sido uma aposta mais ao nosso gosto.

Recomendação: O caril é de comer e chorar por mais 

Aqui tivemos um pequeno imprevisto: segundos depois de chegarem os dim sums, chegou também o caril, o que nos fez sentir que nos estavam a “despachar” para dar vazão às muitas pessoas que aguardavam pela sua vez. No entanto, a empregada, assim que se apercebeu do nosso descontentamento, foi rapidamente ao nosso encontro lamentar o sucedido, porque pensou que já tinhamos terminado de comer os dim sums quando na realidade ainda nem tinhamos começado a prová-los (é o que acontece a quem fala muito durante as refeições).

Quisémos ser mesmo aventureiros, até porque já sabem que sou seduzida pelo número crescente de malaguetas no menu a informar sobre o nível de picante de um prato – e decidimo-nos pelo caril thai verde. Talvez não tenha sido (novamente) a melhor aposta. Se era um bom caril? Era. Muito picante? Longe disso. Aliás, apesar da textura impecável do molho, foi unânime que o picante se aventurou para outro lado, ficando M.I.A. (missing in action).

Pedimos o arroz de jasmim para acompanhar que estava fresco e com a corpolência que se quer deste acompanhamento. O caril em si, faltou-lhe sabor, talvez um “punch” maior, ou mais tempo a apurar antes de servido. Em termos de produtos, eram todos frescos e de qualidade, mas não o suficiente para me deixar rendida.

O pad thai é dos melhores de Lisboa 

Bem, se tivesse que eleger o Rei da Noite, seria este pad thai com camarões tigre. A única crítica que faço é que deve ter faltado uns 30 segundos para a massa ficar verdadeiramente no ponto pois ficou um pouco dura. Em termos de molho, temperos e mistura de texturas estava irrepreensível. Inicialmente a nossa ideia era terminar a refeição com o caril (porque esperávamos que fosse mesmo picante), mas felizmente terminámos com o pad thai que acabou por se tornar no eleito da noite por unanimidade.

Em termos de preços, o jantar não ficou muito caro, cerca de 50 euros para duas pessoas, mas bebemos chá de jasmim e água e um café, ficando de fora alguns finger foods e cocktails que não bebebmos porque não ficámos muitos minutos na fila que justificasse esse “entretém”.

Sem dúvida que o Boa Bao é um daqueles restaurantes a (re)visitar porque se nota que é uma operação muito profissional.  Fiquei muito curiosa com alguns pratos da lista e os baos que vi a passar tinham um aspeto delicioso. Vou, por isso, aguardar mais alguns meses e rumar a uma nova aventura, e quem sabe, se não fico muito mais fã deste restaurante pan-asiático.


Boa-Bao Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Leila Gato

 

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