Gato em movimento

Casa dos Avós – Trebilhadouro

Seria uma blasfémia não vos escrever sobre a Casa dos Avós em Trebilhadouro que visitei recentemente.

Este conjunto de casas insere-se no projeto Reviver Trebilhadouro, uma aldeia desabitada desde os anos 80 na zona de Vale de Cambra (freguesia de Rôge). Nos tempos de outrora as pessoas desta aldeia dedicavam-se à agricultura e à pastorícia. Reza a lenda que nesta mesma aldeia foram encontradas três bilhas de ouro em tempos de outrora, dando o nome à terra. Nos dias de hoje, já lá não vive ninguém, a não ser aqueles que temporariamente escolhem por lá ficar uns dias em busca de descanso e do contacto pleno com a Natureza.

As casas recuperadas de Trebilhadouro, mantém a tradicional casa rural portuguesa em pedra granítica, pedra também usada nos caminhos que ligam a aldeia, situada a 625 metros de altitude.

Foi numa destas casas que ficámos há uns meses. De caminho fácil porém muito solitário pelas estradas nacionais, chegamos a Trebilhadouro quase ao anoitecer. Por lá, estavam a Sra Dona Áurea que herdou 5 casas da sua mãe e uma ajudante que ainda estavam a fazer os últimos retoques da limpeza da casa e que, muito simpaticamente, nos falaram um pouco sobre o projeto e de como era a vida neste Portugal que só conhecemos dos livros e testemunhos dos que por muito passaram.

Ficámos na casa do Avô Barbosa

À nossa espera, na cozinha, aguardava-nos um bolo de laranja caseiro acabado de fazer e uma garrafa com hidromel, cortesia do esposo da senhora dona Áurea.

A casa tem uma cozinha e uma sala no piso térreo, e aqui temos também uma pequena casa de banho. Tanto a casa de banho como a cozinha estão totalmente equipadas com tudo o que é preciso para uns dias de refúgio. Subindo as escadas, temos dois quartos, um de casal e outro individual, ambos muito espaçosos. A decoração é toda ele rústica e de bom gosto e o asseio é para lá de muito. Aliás, quando chegámos a casa ainda estava a ser preparada o que nos permitiu apreciar as últimas horas de sol naquele lugar embalados pelos sons do campo.

De toda a experiência, o que mais recordo com carinho é a paisagem que tinha de qualquer uma das janelas daquela casa meio que perdida no meio da serra. Abrir a janela e ouvir o chilrear dos pássaros, a água a correr no riacho e o bater das folhas das árvores beijadas pelo vento. Abrir a janela e inspirar o ar limpo da serra com aquele aroma próprio a pinha, relva e flores.

Ao escrever-vos quase que me sinto lá outra vez e não consigo deixar de pensar no bom que seria poder escapar mais vezes para lugares onde parece que o tempo não passa e que os problemas não têm permissão para entrar.

Trebilhadouro ficou-me no coração.

Mais informação no site do airbnb.

Leila Gato

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