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Salva Almas – Macieira (São Pedro do Sul)

Há alguns tesouros que não querem ser encontrados por este Portugal fora, e o Salva Almas é um desses lugares.

Este restaurante foi-nos sugerido por um amigo e que nos recomendou também que telefonássemos de véspera para reservar. Assim o fizemos, logo depois do nosso passeio pelos passadiços do Paiva, telefonámos e pedimos Pica no chão (cabidela de galo) para dois.

Do outro lado “ah então como é que vamos fazer isso? É que o “carrasco” aqui é a minha mulher e ela amanhã sai cedo para o trabalho… mas a coisa arranja-se, ela trata disso antes de sair”. Portanto a premissa era a de que iríamos comer cabidela de galo, morto tão recentemente que quase que lhe iríamos sentir o batimento cardíaco.

Mas afinal, foi o nosso coração (e não o do galo) que bateu mais depressa, assim que chegámos ao local.

O restaurante fica numa casa de dois andres em plena Macieira, uma extinta freguesia do concelho de Sernancelhe. Rodeada de diversos e belíssimos castanheiros centenários, o Salva Almas é um restaurante de aspeto rústico e onde se pratica uma das melhores artes de portugal: a de receber bem e proporcionar comida regional de qualidade.

Fomos almoçar num dia de semana, na mesma semana em que pernoitámos em Trebilhadouro, pelo que, além de nós, apenas estavam presentes pessoas da zona e um outro casal que parecia estar de passagem, à nossa semelhança.

Apresentámo-nos à chegada e, com um sorriso, o dono do restaurante apenas nos disse “só falta colocar o arroz”.

Minutos depois, ei-la:

A qualidade da foto não é genial mas no meu instagram vão encontrar um vídeo que, se não vos fizer ligar já para lá para reservar, então não sei o que mais posso mostrar para vos convencer.

Um pica no chão acabado de fazer, com o arroz ainda a ganhar a sua forma e a apurar todos os sabores e aromas do vinagre e do sangue do animal. A carne tenra e macia, os ovos amarelos, daquele amarelos dificilmente se encontra pela cidade. Um banquete difícil de igualar.

Para acompanhar, foi-nos sugerida uma garrafa de Foral D. Henrique, um vinho tinto do Dão, de aromas complexos e notas de resina que se revela de sabor macio e persistente. Daqueles felizes encontros quando no prato há carne de qualidade servida.

No final ainda conversámos um pouco com o dono que nos explicou a sua paixão pelo espaço e porque é que mantém vivo o negócio, convidando-nos antes de sairmos a visitar o pequena museu religioso que foi construído pela família no subpiso.

Uma homenagem à fé, pura e sem qualquer interesse, que se faz nas zonas mais despovoadas do país.

Se por acaso passarem pela zona de São Pedro do Sul, não deixem de visitar e comer pelo Salva Almas.

Mais informações aqui

Leila Gato 

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