Gato em dia

32

Os 32 mudaram alguma coisa.

Talvez este dia comece a ganhar contornos diferentes e a proporcionar sensações e sentimentos mais difíceis de descodificar com o passar do tempo.

Sempre adorei fazer anos, sempre contei os dias, sempre fantasiei como teria de ser tudo meticulosamente planeado e festejado, desde o recheio do bolo, às atividades que compusessem o dia. Se fechar os olhos por alguns minutos consigo recordar-me de vários aniversários meus e diferentes momentos que vivi neste mesmo dia ao longo da minha vida.

O aniversário em que choveu e o cheirava a terra molhada, o aniversário em que tive um bolo de chocolate em forma de coração, o aniversário em que vi filme alugados do videoclube enquanto comia pipocas feitas em casa, o aniversário em que se levou um bolo para a escola primária para os meus amigos me cantarem os parabéns, o aniversário em que cortei o cabelo, o aniversário em que estreei uma roupa nova, o aniversário em que comprei uma caixa cheia de “húngaros” e os comi todos antes do jantar, o aniversário em que comecei o dia a comer uma torrada com manteiga no Café Central, o aniversário em que se fez uma festa lá em casa, o aniversário em que me deram uma vela com música, o aniversário em que tinha um postal da Hallmark à minha espera na caixa do correio.

Este ano, dei por mim a não pensar muito no dia em si, mas naquilo que queria para os dias que se seguissem.  Ao dia 21 de outubro, segue-se o dia 22 e um novo ano repleto de oportunidades para agarrar e metas para cortar. Este ano senti, como nunca havia sentido, que estava a iniciar um “ano novo” e comecei-o hoje, sem resoluções escritas numa folha de papel, mas com a convicção de que ando a fazer quase tudo bem, na medida em que tudo o que faço, faço com um coração em paz.

Não sei o que é que a idade traz, mas sinto que estes 32 mudaram mesmo alguma coisa.

Leila Gato

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