Gato em movimento

O que é doce nunca amargou – Lisbon Food Week

Que esta Gato se perde por um bom prato de comida, já não é novidade. Mas o ato de discutir e ouvir falar sobre gastronomia pode ser tão prazeroso como o ritual da refeição. E se a conversa é sobre doces, e mais propriamente sobre dois ex libris da doçaria portuguesa como são o caso do pastel de nata e do bolo de arroz, então reservem-lhe um lugar na primeira fila.

Foi neste espírito que assisti à animada conversa entre Virgílio Gomes, Paulina Mata e Pedro Cruz Gomes (autor do blogue Gastrossexual  realizada no passado dia 4 na Livraria Ferin no âmbito da Lisbon Food Week  na qual tentaram descodificar o que torna estes doces tão característicos e acarinhados pelos portugueses.

A doçaria tornou-se numa porta aberta para uma conversa inspiradora que levou uma plateia ávida de conhecimento e curiosidades por uma viagem no tempo e na História, passando pelo tempo dos Descobrimentos e pelo tratado de Tordesilhas, pelo casamento da Rainha Vitória que instituiu a tradição do bolo de noiva e vestido de noiva brancos na tradição europeia, deambulando pelos conventos do país e pelos seus segredos gastronómicos e apropriações ilegítimas, havendo espaço para focar os excessos da comunicação e marketing da premissa “sem glúten” e como esta se torna numa mera estratégia de marketing que visa eliminar uma proteína que nem deveria existir em certos bolos (se as receitas originais fossem respeitadas).

Através deste debate tive a oportunidade de ficar a conhecer o trabalho de Virgílio Gomes, um gastrónomo de mão cheia que nos enriqueceu a tarde com indagações tão intrigantes como estas abaixo:

  • Fazem ideia porque é que o bolo de arroz tem este nome?
  • Quais as características que nos permitem avaliar a qualidade de um pastel de nata?
  • Sabiam que a esmagadora maioria dos “doces conventuais” que se vendem em cafés e pastelarias não são efetivamente doces conventuais?
  • Imaginam porque é ingredientes como o cacau, a batata e o tomate só muito tardiamente foram introduzidos na gastronomia portuguesa e o mesmo aconteceu com o açúcar, o gengibre e outras especiarias na gastronomia espanhola?
  • Sabem a origem da Lei proclamada por D. Manuel I em 1496 que proibia os homens de mexer em açúcar?

Poderia explicar-vos já tudo isto, mas a verdade é que também eu fiquei cheia de vontade de explorar ainda mais estes temas e não ceder à tentação de simplificar as respostas que procuro. Mãos à investigação! Durante os próximos meses conto ir partilhando convosco as respostas a que cheguei.

Leila Gato

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