A Gato fala com...

Sara Costa e João Olímpio – Manná, patês e conservas de peixe

Afinal como é que começou esta aventura com os produtos Manná?
Sara – Esta aventura já começou há muitos anos atrás, quando o meu bisavô (António Jacinto Ferreira) fundou a Conserveira do Sul em 1954.
A nossa marca Manná é criada no mesmo ano. Começámos com a produção de conservas de peixe (Sardinha, Atum, Cavala…).
João- Mas a marca só passa a ser mais reconhecida do mercado português quando em 1986 é lançado o primeiro paté de peixe, o famoso Paté de Sardinha Manná.
S – Nessa fase houve uma excelente aposta comercial no segmento da restauração, o que possibilitou o grande crescimento da marca, assim como a abertura do mercado para as outras variedades de paté de peixe que viémos a lançar.

E o renascimento da Good Boy, surgiu de forma natural?
Sara – Sim, sem dúvida. É uma marca muito especial para a Conserveira do Sul e para a família Ferreira, primeiro por ser uma marca histórica (criada em 1950 e que apenas foi comercializada para o mercado estrangeiro, daí o seu nome em inglês). Em segundo lugar, porque o “Good Boy” é nada mais, nada menos do que o filho mais novo do meu bisavô com 7 anos.
João – Outra curiosidade é que actualmente o nosso Director Comercial é o filho do Good Boy. A imagem da marca já tinha imenso potencial por isso foi um excelente desafio relançá-la no mercado com uma imagem mais colorida e com uma nova gama de produtos.

Mudaram-se para o Algarve correto? Sentem saudades de Lisboa?
João – Sim, acabou por ser uma decisão bastante fácil, até porque nenhum de nós é natural de Lisboa. Eu sou de Alcácer do Sal e a Sara de Olhão.
Adorámos viver em Lisboa durante os anos da faculdade e mais algum tempo a trabalhar, mas ambos já estávamos um pouco saturados da vida agitada de Lisboa.
Sara – Na altura, por volta de 2015, já colaborávamos com a Conserveira do Sul um pouco à distância, mas os trabalhos foram-se tornando cada vez mais regulares e a ligação foi ficando vez mais sólida, tornando-se quase obrigatório para nós a tempo inteiro. É claro que há algumas saudades de Lisboa, da sua oferta cultural, gastronómica e dos seus locais únicos. Felizmente, voltamos regularmente para “matar saudades” da cidade e dos amigos. Do que não temos saudades? Do trânsito, da falta de estacionamento, da correria diária e da confusão. Olhão tem um equilíbrio perfeito para nós.

São muitas as variedades das conservas o que prova a sua versatilidade. Como nascem as combinações?
Sara – Da criatividade da família e dos nossos trabalhadores. Há alguns anos que a minha prima Ana é responsável pela produção e a maior parte das receitas têm sido da sua criação. É claro que a Família são as cobais naturais, um papel que adoramos, e também os nossos trabalhadores. O João também tem dado um contributo importante nessa parte.
João – Já adorava cozinhar portanto para mim tem sido um desafio muito engraçado. É muito interessante perceber como funciona a elaboração de uma receita para uma conserva fabricada industrialmente. Até porque a conserva funciona muito como o vinho, o seu sabor vai evoluindo ao longo do tempo em que está na lata.

Inspiram-se em tradições portuguesas?
Sara – Sim, claro. Não só nas combinações e sabores das nossas conservas, mas também na sua apresentação.
João – Por exemplo, a nossa gama Manná Gourmet transporta-nos para Olhão. Cada produto apresenta uma paisagem característica da Vila Cubista e da Ria Formosa. Em cada lateral está também presente um azulejo do casario Olhanense.
S – Até a própria maneira de fabrico das conservas mantém-se de forma tradicional, ou seja, todo o pescado (à excepção do atum posta) é trabalhado e colocado à mão na lata, algo que consideramos muito importante para manter a alta qualidade de uma conserva de peixe.

Uma das conservas que me chamou a atenção (das primeiras que provei) foi a de filetes de atum da linha Equilibrium, com sacocórnia? Afinal o que é? Onde nasce? Quais os seus benefícios? Porquê a combinação?
João – O lançamento da gama Manná Equilibrium surge num momento em que sentimos que o consumidor procura cada vez mais uma alimentação saudável e equilibrada. Achamos que as conservas de peixe podem perfeitamente ser uma resposta a esta necessidade, daí a criação de conservas, conservadas em água e sem adição de sal.
Sara – Para temperar os nossos Filetes de Cavala e Atum optámos por adicionar a Sarcocórnia (uma “prima” da já famosa Salicórnia). A Sarcocórnia caracteriza-se por ser uma palnta halófita, originária do Parque Natural da Ria Formosa, adaptada para viver junto do mar. Caracteriza-se pelo seu sabor salgado e aroma a maresia, temprerando o produto final com uma menor percentagem de sódio comparativamente ao sal tradicional. Há estudos que afirmam que estas plantas têm um elevado valor nutritivo e são ricas em proteínas minerais e vitaminas.

Pensam na internacionalização?
Sara – Claro. Desde sempre que a exportação é um canal de vendas fundamental para nós.
João – Contamos com presença um pouco por toda a Europa, mas também na China e Estados Unidos.

Como anda a vida do Barriganas? 
João – Tem andado um pouco parada, apesar das ideias continuarem a surgir regularmente. Infelizmente não temos conseguido dedicar tanto tempo ao projecto quanto queriamos.
O trabalho na fábrica tem sido muito e cada vez mais desafiante, o que por si só também é muito bom.
Contudo o prazer pela culinária mantém-se na preparação das refeições diárias, o que para mim é sempre uma espécie de terapia, ao fim de um dia de trabalho.
Sara – Mas ainda assim, o blogue Diários d’um Barrigana continua activo. Para nós continua a ser um prazer partilhar com o mundo a comida e bebida com que nos cruzamos e que mais nos marca.

Temos visto que o Chef Joe Best usa muitas das vossas conservas, como nasceu a ligação?
Sara – É uma ligação de anos, que foi iniciada pelo meu tio João Paulo no Twitter. É óptimo ter o Joe como nosso parceiro porque além de ser um excelente profissional e dos Chefs mais criativos que conhecemos, é também uma pessoa de uma simplicidade e humildade invulgar.
João – Tem um carinho muito especial pelos nossos produtos, assim como nós temos por ele e pelo seu trabalho. Além de ser um parceiro, é sem dúvida um amigo da Conserveira do Sul.
S – E continua-nos a surpreender a cada prato que prepara com as nossas conservas. Tem apresentado pratos espectaculares.

Não conheço bem o Algarve, se me tivessem que recomendar um sítio para tomar pequeno almoço, outro para almoçar e outro para lanchar, onde é que me levavam?
Sara – Bem, para pequeno almoço tem que ser os famosos Croissants da pastelaria Gardi na baixa de Faro, desde pequena que são a minha perdição, principalmente o misto. Ir a Faro e não comer um Croissant é pecado!
João – Antes do almoço tens que visitar as emblemáticas praças de Olhão para abrir o apetite. Tens óptimos restaurantes de marisco e peixe fresco na baixa de Olhão, como o Terra i Mar e o Bote. Se for Verão, vale a pena passear até à paradisiaca Ilha da Armona e almoçar no Tolinhas, na esplanada com vista para a Ria Formosa. Adoramos as ameijoas, o bife de atum, ensopado de enguias, carne de porco com ameijoas e claro as sardinhas assadas.
Sara – Para o lanche, vale a pena uma visita à bonita cidade de Tavira. Descobrimos recentemente o quiosque da Muxagata no jardim junto ao mercado que tem uns gelados divinais e bastante originais.
J – Para jantar, e finalizar em beleza, visita na praia da manta rota o restaurante Chá com Água Salgada. Um restaurante de praia com sabores requintados e uma ementa única.
S – Como regressamos sempre a Olhão, a noite acaba bem com uma cerveja artesanal no Saaz. Um bar que abriu há um ano em Olhão e que é especializado em cervejas artesanais portuguesas. Temos descoberto cervejas fantásticas lá.

Proust, desculpa mas vou roubar-te 5 perguntas:

Qual a vossa ideia de felicidade plena?
Sara – Em certos momentos na vida, quando olho para trás, penso sempre que estou mais feliz agora do que “ontem”. Isso é o mais importante para mim, lutar pelos meus sonhos. Estar onde, como e com quem quero estar em cada momento da minha vida. Para mim é fundamental estar em Paz comigo e com as minhas decisões.
João – Felicidade plena é um conceito complexo e com vários “prismas”. Para mim a felicidade plena está realmente em pequenas coisas, pequenos momentos que passamos, seja a fazer algo de que gostamos, seja a partilhar momentos com a nossa família ou amigos. De facto, acredito que apesar da felicidade plena estar concentrada nestes pequenos momentos, estes acabam por ser momentos muito prazerosos e que se prestarmos atenção são mais frequentes do que pensamos. Estes são momentos que acabam por nos revigorar o corpo, a mente e o espírito.

Que talento mais gostariam de ter?
Sara – Adoro música. Toco guitarra e gosto muito de cantar, mas tenho muitas falhas ritmicas.
João – Também adoro música e até tive alguma formação quando era miúdo. Não sou muito talentoso, por isso gostava de ter um talento especial para tocar bem vários instrumentos.
Gostava também de ter talento para o desenho/pintura, já que normalmente não consigo juntar três traços com sentido.

Qual é o bem mais valioso que têm?
Sara – Amigos e Família.
João – Família, amigos e saúde.

Qual é a vossa ocupação favorita?
Sara – Temos muitos interesses em comum, o que é óptimo. Jogar ténis, playstation, ver séries, ler e tocar música. Ah e claro, comer!
João – Neste momento tocar guitarra, jogar ténis e ping pong, jogar playstation, ler, cozinhar e comer.

Quem é o vosso herói da ficção?
Sara – Em miúda era doida pelo SpiderMan e o Batman, hoje em dia e ainda adorando BD também gosto muito do DeadPool, mas também o Lucky Luke. Personagens divertidas, que levem a vida com um sorriso e procurem o Bem.
João – Tinha e tenho vários. Quando era miúdo lembro-me de gostar muito do Astérix e do Obélix e de brincar ao 007. Hoje em dia, como leio muita BD, sou fã do Wolverine e do Jiro (da BD “Get Jiro” do Anthony Bourdain) porque são personagens fortes que se mantêm sempre fiéis aos seus princípios, mesmo que isso signifique problemas.
Recentemente também me marcou muito o “Professor” da “Casa de Papel”, um personagem com uma grande inteligência, sentido de justiça e de humor.
Em termos de ficção mais literária marcaram-me muito também os personagens principais da triologia “Millenium”, a Lisbeth Salander e o Mikael Blomkvist. Também o personagem de um livro do Christopher Moore (“Cordeiro – O Evangelho Segundo Biff”), o Biff (amigo de infância de Jesus Cristo) um personagem com um humor algo sarcástico, mas que também tem um grande sentido de justiça e muita coragem.

Leila Gato

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