A Gato come

Restaurante, O Miguel

Descobrimos o Miguel nestas férias em Setúbal. Não querendo antecipar o meu veredicto assumo, desde já, que em seis dias fomos jantar ao Miguel…três vezes. Vejamos porquê:

Um arroz de tamboril que de malandro tem tanto que não sobrou nada no tacho

E ele chegou-nos à mesa num gesto solene. Assim que retirámos a tampa, vislumbrámos o fumo que de lá dentro saía e se diluía no ar envolto naquele aroma simultaneamente quente e fresco, tateando suavemente o arroz que ainda precisava de uns minutos “para repousar” e cheirando os coentros que não podiam faltar a este encontro.

Como estava o dito arroz? Perfeito. O arroz malandrinho como se quer (mesmo depois de repousar), o molho apurado e que a cada concha transporta consigo o arroz cada vez mais aconchegado, sem esquecer o tamboril, , em boa quantidade e com uma frescura e textura capaz de se dissolver na boca.

Vimos cá por causa dos chocos com tinta grelhados, mas só há lulas

Podia ser um problema, mas tornou-se numa experiência tão positiva que voltámos lá na esperança de poder provar os chocos na segunda investida. Não realizamos o nosso desejo, mas repetimos as lulas. Frescas e com aquela textura própria dos náutilos, assemelha-se vagamente a borracha no primeiro contacto com a faca mas é uma falsa borracha, firme mas suave e suculenta.

Quanto a acompanhamentos, continuamos bem servidos. Salada fresca e com uma apresentação ótima, bem como migas e batatas cozidas. Simples, como se quer na época do verão.

Uma raia alhada para a mesa dos comensais

Veio ela, muito bem posta no prato. Um peixe com uma textura muito característica que estava não só muito bem preparada como vinha ainda com o sabor do alho. Alhada no ponto dando sempre a margem necessária para não contaminar a identidade da raia.

Tamboril de coentrada e pudim abade de priscos um pouco abaixo do nível

Talvez o prato menos bem conseguido de todas as idas. Em relação à qualidade e frescura do peixe, nada a referir, porém o molho que o acompanhava e os brócolos um pouco cozidos demais tornaram o resultado final menos memorável.

Sempre que encontramos pudim abade de priscos no menu, por ser uma raridade, acabamos por provar. Este acabou por ficar aquém das expectativas, também porque estamos muito mal acostumados e agora só queremos o pudim do rei Miguel Oliveira (viva o Rei!).


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Leila Gato 

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