Gato em movimento

Berlim – Dia 1

As manas Gato. fartas de viverem muito longe uma da outra, decidiram fazer uma viagem juntas para conhecer uma nova cidade. Berlim foi a primeira cidade contemplada e não podíamos ter tido uma melhor estreia nesta aventura. O Hotel Meliá foi o escolhido pela conveniência da localização e a verdade é que todas as manhãs nos brindou com esta agradável vista:

Dos primeiros minutos nesta nova cidade conseguimos logo aferir duas coisas:

  • A sinalética do aeroporto deixa bastante a desejar.
  • Os alemães não gostam que lhe perguntem “Do you speak English?”. A todos os que perguntámos, porque nem eu nem a minha irmã falamos alemão, respondiam-nos simplesmente que “no”. Curiosamente, continuávamos a falar com eles em inglês e percebiam tudo o que dizíamos. Por isso das duas uma, ou tivemos azar só noz cruzámos com alemães que não falam Inglês ou eles simplesmente não gostam da abordagem. Lesson learned!!

No primeiro dia estavam mais de 30 graus e o sol já se fazia sentir nas primeiras horas da manhã. Primeiro desafio: encontrar um sítio simpático para tomar um pequeno almoço reforçado na zona de Friedrichstraße. Estupidamente, e ainda com o nosso sentido de orientação adormecido, caminhámos na zona que tinha menos cafés e pastelarias, mas lá nos arranjámos com uma sandes de queijo com legumes e dois abatanados que por lá se diz expresso doppio em todo o lado num café que ficava numa rua mais residencial.

Como tinhamos ideia que o East Side Gallery era um pouco longe (afinal a distãncia não era nada do outro mundo), preferimos apanhar um Mytaxi (que funciona tão bem como em Portugal, felizmente) e depois começámos a explorar a cidade a pé (sim, as manas Gato gostam muito de andar e foi o que mais fizeram nesta cidade).

East Side Gallery

Pensava que era maior: foi o meu primeira coisa que me passou pela cabeça. Ao percorrer o muro e imaginar o que era aquela zona da cidade quando este a separava de forma fria e cinzenta, senti um calafrio que acabou por ser apaziguado pelas manchas de cor e mensagens diretas ou subliminares pintadas pelos mais variados artistas e que ilustram uma página da História da Europa tão difícil de compreender.

Estes muros são agora verdadeiras obras de crítica social que usam o traço e a cor para expressar a contestação de um momento histórico que tem tanto de perigoso como de recente. Através do humor, de conceitos mais abstractos, de mensagens de paz e de dor é colocado o dedo na ferida. No final, há sempre e sempre haverá Arte para nos lembrar do que não deve ser esquecido.

A pintura abaixo é uma das que mais me atraiu por parecer um pouco deslocada em termos de conceito, mas ao interpretá-la mais demoradamente, compreendi melhor a mensagem escondida, ou pelo menos assim o acho.

Como não tínhamos bem noção da distância percorrida, optámos por regressar a pé. E lá fomos nós a andar, quando demos por nós começamos a aproximar-nos da Berliner Fernsehturm  – a altíssima torre de radiofusão – (mas não tão perto como chegámos no último dia). Passámos uma zona muito engraçada com pequena lojas e umas igrejas mais pequenas e de repente começo a ver um edifício imponente. Olhámos, olhámos e rapidamente percebemos que estávamos diante da Catedral de Berlim.

Como era uma sexta-feira tinha pouco movimento e conseguimos visitar a Catedral de Berlim (o bilhete custa 7 euros). Subimos até lá acima para ver a vista, visitamos a zona das tumbas e vimos todo o interior da catedral que merece a visita.

É muito bonita, mas com grandes marcas de modernidade do pós guerra. Como tive a oportunidade de visitar as catedrais de Florença e Siena, esta acabou por não me encher as medidas.

Dali, fomos passeando sem grande rumo e comemos o primeiro gelado das #manasgatoemviagem que nos soube pela vida.

Aquela zona fica muitíssimo perto da chamada Ilha dos Museus (onde iríamos voltar no domingo), bastante movimentada e com muitas pessoas a apanharem banhos de sol na relva e nas esplanadas.

Continuamos a andar, agora novamente em direção ao Hotel, e chegamos à Unter de Linden, uma das maiores avenidas de Berlim que nos levou às portas de Brandemburgo, como íamos lá voltar no sábado, regressámos à avenida para procurar um sítio para almoçar/lanchar algo.

Um hambúrguer para as duas depois, voltamos a caminhar, perto da zona do Checkpint Charlie encontrámos as primeiras stolpersteine. Estas são placas de metal presas no chão que representam e recordam algumas das vítimas do Holocausto. Através destas pequenas pedras, podemos ler os seus nomes, data de nascimento e morte e o que lhes aconteceu em vida (deportados, difamados, assassinados, autores do seu suicídio ou sucumbindo aos horrores da guerra). São pedras que contam uma história, imortalizando a forma abrupta ou infeliz como estas vítimas experienciaram os horrores da guerra.

Esta zona estava em está em obras mas tinha uma espécie de “museu” ao ar livre que recriava através de fotos de grandes dimensões aquela mesma zona na altura do muro e qual a função do Checkpoint.

Aqui encontramo-nos numa encruzilhada de ruas, a “nossa” Friederich com a Unter den Linden. Também aqui encontrámos a primeira Photoautomat e tirámos a primeira série de fotos.

Ainda fomos a uma das lojas do Ampelmann  à pop-up store da Nivea e acabámos na chocolataria Rausch tida como uma das mais antigas de Berlim.

Agora sim, estávamos preparadas para voltar para o nosso quarto para descansar um pouco, mudar de roupa e ir jantar.

Sem nada marcado, acabámos por encontrar um restaurante italiano bastante típico onde pude voltar a falar italiano e comer uma pizza Diavolo E-N-O-R-M-E. Bem que o senhor nos aconselhou a não pedir a bruschetta porque era capaz de ser comida a mais. Foi mesmo, eu não consegui terminar a minha pizza, o que é algo que nunca me tinha acontecido na vida! 😀

Alguma dúvida que tenham ou experiência que queiram partilhar, sintam-se à vontade para o fazer por aqui ou pelas redes sociais desta vossa amiga. Ficam prometidos os textos sobre o segundo e terceiro dia de viagem!

Leila Gato 

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