A Gato come

Tantura ou a vã glória de comer (e opinar)

A ideia de poder provar alguma da gastronomia israelita, que nasce de uma grande combinação influenciada pela cultura de vários países como a Polónia, a Tunísia, o Iraque e até mesmo a Roménia, deixou a Gato de água na boca.

Assim que pomos os pés dentro do Tantura, há uma mistura de aromas a marcar a sua presença e sente-se desde logo a descontração e boa disposição nas pessoas que lá encontramos dentro. De relance olhei para a cozinha, uma balcão totalmente exposto onde estavam, o Elad e o Itamar, os cozinheiros e donos deste lugar na Rua do Trombeta.

O Elad e o Itamar, segundo o que consegui apurar, além de perdidos de amor um pelo outro, são também apaixonados por Lisboa e aqui decidiram abrir o seu restaurante onde nos servem comida como se estivéssemos na sua própria casa.

Um Menu de fazer arregalar os olhos

É extenso, talvez extenso demais, achei eu quando o comecei a folhear. Depressa percebi que a sua grande lista se deve às variações do mesmo prato que nos são oferecidas, como é o caso das diferentes shakshukas e saladas.

Comecemos pelo início, pão à mesa, com certeza

Pão de iogurte e pão de cerveja foram os primeiros que provei, e se eram bons, eram mesmo bons! Totalmente diferentes do que estou habituada, o pão de iogurte quase parece uma fatia de bolo, que quando misturado com os sabores das saladas e do humus permite que estes se prolonguem na nossa boca durante uns bons minutos.

O pão de cerveja, um pão frito que é o pretexto perfeito para provar o molho de cenoura e de coentros servidos também como couvert. Também pedimos pita, cozido no ponto com aquele vazio no seu interior que tanto se procura neste tipo de pão.

Uma shakshuka para quatro e não se fala mais nisso

Como éramos quatro, achámos por bem pedir muitos pratos para podermos dividir e provar de tudo um pouco. Aliás, este é o restaurante perfeito para quem gosta “de picar” comida. Um dos pratos que tínhamos que pedir era shakshuka (já fizemos uma vez em casa e não ficou nada mal). Para quem não sabe o que é, trata-se de um pratos em que se estrelam ou escalfam ovos em molhos de tomate com pimentos e ervas frescas – normalmente numa frigideira. Em relação a este, só achei que podia estar um pouco mais “puxado” pois senti-lhe pouco o sabor dos pimentos e muito do tomate, no entanto nada que manche a experiência destes comensais famintos.

Um sonho chamado salada Labanea

Esta foi uma das minhas preferidas da noite. Uma salada que é uma enchente de frescura feita com iogurte de queijo caseiro, alhos, folhas de zatter, tabule e romã. O amargo adocicado da romã misturado com o sabor fresco e duro do iogurte tornou este um dos momentos auge da minha ida ao Tantura, e fazer-me querer lá voltar para repetir a dose!

Eu que nem sou de fritos…

…mas se é para provar fallafel, então vamos com tudo. Estas estavam equilibradas, nada gordurosas, o seu interior com pasta de grão de bico era fresco e macio e quando mergulhadas no molho de tahini, transportaram-me para um daqueles lugares bons de onde não queremos sair, se sair implica parar de comer.

O pastel de queijo feta com espinafres

Embora não tenha sido um dos meus pratos prediletos, foi também um óptimo entretém durante a animada refeição.

Couve flor fumada com molho tahini

Normalmente a couve flor é aquele alimento chato e sensaborão que nunca sabemos muito bem como comer, a não ser cozido ou salteado (“arroz” de couve flor?… não vou sequer falar sobre isso). Aqui é servido fumado com um sabor avinagrado, a textura deixa de ser mole quase puré, para ter mais personalidade e quase nos fazer gostar desta amiga. Mais uma vez, não foi a predileta da noite, mas voltou  espicaçar a curiosidade no que refere à criatividade na cozinha de Elad e Itamar.

Não podíamos não comer hummus

Optámos pelo que vem acompanhado com pimentos, ameno mas intenso? Será que esta aparente contradição ajuda a explicar o seu sabor? Não sendo eu uma fã de hummus, posso dizer com convicção que à conta deste jantar ganharam uma potencial fã. Realmente é a comer que se aprende a gostar de comida.

E ainda havia espaço para sobremesas

Decidimos enveredar pelas sugestões da pessoa que nos atendeu e tivemos o privilégio de provar iguarias que não estão contempladas no menu.

O “cheesecake” daqui não é igual em mais lado nenhum

Para quem está à espera da versão tradicional, esqueça, este é um “bolo” doce feito com uma mistura de queijos gratinados, acompanhados de uma massa estilo aletria e que depois é polvilhado com canela e pistachios numa pequena frigideira. Um doce talvez doce demais, até para a Gato, mas que vale nota 10 pela descoberta.

Pedaços de chocolate com passas e frutos secos

Vem servido num prato cortado toscamente. A minha sugestão é que o peçam com café (a nossa tradicional bica) ou aventurem-se pelo café israelita, porque assim têm uma experiência mais autêntica e aromática.

A baklava

Mais uma vez, ir a este restaurante requer abertura de espírito e vontade por conhecer melhor uma gastronomia tão diferente da nossa e o mesmo aconteceu com esta sobremesa, uma massa folhada com doce de mel, pistachios e canela no seu interior. Faz-me lembrar os pastéis de tentúgal mas mais aromático.

O interessante nestas descobertas é darmos por nós a tentar fazer comparações e encontrar as semelhanças e diferenças que levam os habitantes dos diferentes países a criar pratos deliciosos com base no que os seus países produzem, importam e inventam consoante as necessidades.

Acho que fiquei com um fraquinho por comida israelita e não vejo a hora de lá voltar.

A foto de topo desta noite animada vem de um dos ilustres comensais.

Ficaram curiosos com o Tantura?

Leila Gato

 

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