A Gato come

A Gato provou o pão artesanal d’A Padaria Portuguesa

e… foi tramada porque agora tem de se render às evidências.

Este artigo do Mesa Marcada tinha deixado a Gato muito curiosa, mas o tempo foi passado e mantive a minha posição no que refere ao pão d’A Padaria Portuguesa: com exceção do pão de trigo em que são feitas as suas torradas (e quando as fatias são mais grossas que os meus dedos), não sou grande fã dos pães que comercializam.

Mas agora sou forçada a conjugar o verbo “ser” no tempo correto: não “era” fã do pão d’A Padaria Portuguesa, até experimentar o pão artesanal de espelta com sementes.

Decidi começar uma investigação por conta própria nalguns sites e depois passar à prova real. E  sobre isso que vos escrevo hoje.

pão artesanal padaria portuguesa

O percurso deste pão artesanal começou no LAB, o local onde se criam novos produtos e onde os mesmos são testados. Caso “passem no teste”, estes novos produtos são disponibilizados nas inúmeras lojas d’A Padaria que continuam a abrir pelo país. Foi este o percurso do pão, hoje alvo de dissecação no blog.

Ao contrário do meu preconceito inicia, o que sinto agora é que, mais do que ir a uma Padaria Portuguesa porque está à mão de semear, vou lá porque posso contar com produtos de qualidade, a começar pelo pão (e sim, vão ler esta palavra muitas vezes repetidas ao longo deste texto).

O segredo está na massa (-mãe)

Só há relativamente pouco tempo percebi o que era a massa-mãe. Foi o Ricardo Dias Felner que me explicou numa das sessões do Curso Papas na Língua. Se aprendi bem a lição, o fermento da massa mãe é feito de forma mais lenta, o que “quebra” a proteína do glúten, faciltando a sua digestão, o que vai contra ao que é habitual no pão comprado em grandes superfícies. Este é também um pão que se conserva durante mais tempo que o comum.

Este é um fermento especial, uma mistura de farinha de moleiro e água, alimentada de 12 em 12 horas até borbulhar, num processo que demora uma semana e que não precisa de adição de levedura: a massa-mãe.

pão de espelta com sementes

A prova real da Gato

O resultado é um pão feito com farinhas de moleiro moídas em pedra, mais precisamente do moleiro Paulino Horta, de Alenquer, que ainda tem um moinho de pedra, onde faz as moagens e levedações longas de 24 horas. Um pão que começa a ser feito hoje só está pronto amanhã. Pequena nota a fazer, as farinhas não são todas nacionais porque não há trigo de espelta de produção nacional (em quantidade suficiente).

O cheiro

Um cheiro diferente ao que estou habituada e que inicialmente me deixou de pé atrás, porém quando o provei, percebi que é quando aliado ao seu sabor que o aroma deste pão ganha o seu peso na equação e se torna irresistível.

A consistência do miolo e a dureza da côdea são o resultado da sua “fabricação”

O pão artesanal usa apenas 3 ingredientes: farinha, água e sal.

No que refre à farinha usada, neste caso é de espelta, sem refinamentos (também é biológica, mas para mim essa característica tanto me faz) e tem sementes de abóbora, girassol, sésamo e linhaça. Por isso, aquele dinheiro que gastam na Prozis com suplementos e sementes, podem poupar se comerem pão de forma equilibrada às refeições. 🙂

Por se tratar de farinhas de moleiro, estas são também mais tradicionais, mais nutritivas, logo menos processadas. Quando se faz pão, é a fermentação longa e a adição de mais água que lhe confere mais longevidade e mais sabor. Por serem cozidos a altas temperaturas, os pães formam uma crosta mais escura que os protege da perda de humidade no seu interior.

pão artesanal de espelta com sementes

A côdea

Segundo a própria Padaria Portuguesa é “o escudo, através da sua correta caramelização obtém-se uma crosta estaladiça e crocante que o protege da perda de humidade no seu interior.” Eu não diria melhor.

A viagem deste pão termina no calor dos fornos que varia entre os 230º e os 260º para uma cozedura perfeita.

pão artesanal da padaria portuguesa

Considerações finais

Em casa, já sabem que prefiro compor as minhas fatias de pão com gorduras boas (como o abacate) e fruta da época, mas ai de alguém que me tire a minha manteiga, para um lanche mais demorado. Normalmente as opções de abacate e frutas como kiwi reservo-as para os laches antes de treinar para ter aquela energia extra antes de me pôr a correr, a saltar, a agachar e a fazer flexões durante 55 minutos. Nestes dias, a opção do pão com manteiga não é uma opção tão interessante, por isso prefiro deixar esta “iguaria” quando tenho companhia para o lanche e muita conversa para pôr em dia.

padaria portuguesa pão artesanal

E termino este texto como o comecei, tramada. Agora vou comer deste pão até me cansar!

Não leiam este artigo como PUB, muito menos PUB enganosa, trata-se pura e simplesmente de uma opinião sincera sobre alguém que adora pão e que é cada vez mais fascinada por este alimento que tantas pessoas têm tentado afastar do nosso dia a dia por motivos pouco coerentes e justificados do ponto de vista científico.

Já provaram este pão? Digam lá o que acham?

Leila Gato 

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