A Gato fala com...

Ana Ni Ribeiro – A (minha) Nitricionista

Quando falo sobre a minha nutricionista digo sempre “a minha Ni”. Desde a primeira consulta que tive com ela em agosto de 2016 que sinto que criei um laço muito importante com alguém que me ajudou a ver a comida de outro prisma, sem espaço para condenações. Aliás, gosto ainda mais de comida do que gostava antes.

Motivo mais que válido para a trazer aqui para o meu caleidoscópio e “partilhá-la” convosco. Se querem mesmo perceber o vos estou a dizer convido-vos a ler esta conversa até ao fim! (Alerta para as fotos de receitas deliciosas).

Querida Ana, quando é que descobriste que querias enveredar por esta profissão?

Durante a minha infância e adolescência passei por duas situações, tinha excesso de peso e depois passei por um principio de anorexia, que me fizeram despertar para esta profissão, e em conjunto com a minha curiosidade e vontade de fazer a diferença na vida das pessoas, percebi que ser nutricionista era o meu sonho. Já tinha terminado a licenciatura em Biologia Aplicada, fazia investigação em microbiologia, quando decidi ser realmente o que me iria realizar a nível profissional.

Descobri-te através do meu marido, que ao ver muitas publicações tuas nas redes sociais, me sugeriu que começasse “a seguir” o teu blog e a tua presença nas redes sociais. Aí, percebi que estavas a criar a tua comunidade e que interagias com os teus pacientes de forma pública. Isso aconteceu naturalmente?

Criei o blog pois, enquanto nutricionista, encontrei uma falha na blogosfera na oferta de informação especializada e válida sobre alimentação/nutrição. Há um sem número de sites e blogs que constroem e difundem informação errada. Se dispunha de informação certa, validada cientificamente devia partilhá-la pelo que decidi colmatar essa lacuna, pois em cada falha há a oportunidade de fazer mais e melhor. Através do blog podia mostrar como se pode corrigir esses erros, colocando nas mãos dos meus seguidores as ferramentas para prevenir o desequilíbrio alimentar.

Milhões de pessoas acedem diariamente à internet ávidos de informação, pelo que consigo desta forma chegar a pessoas que de outra forma seria impossível. A plataforma de comentários do blog promove a interação direta com os leitores, e consequentemente a troca de ideias. Ensino e aprendo com os pacientes. A partir do momento em que criei o meu blog, tornei-me parte de uma extensa rede de informação, e através dos motores de busca, consigo a angariação de novos leitores e divulgação constante dos meus projetos como as consultas online. Oiço os seguidores, é muito importante ouvir o seu feedback para ir ao encontro das suas necessidades. Gosto de pertencer a esta comunidade virtual onde todos estamos unidos. O que escrevo em Portugal pode ter efeitos em qualquer parte do mundo onde me leiam. A comunidade já é extensa e levam muito a sério a nutrição, é este o poder da internet.

Tenho uma enorme paixão por este blog. A Nitricionista, e tudo o que está a ele ligado, são um projeto que me dá imenso prazer manter e vê-lo crescer é muito reconfortante. Foi através do blog que criei as consultas online e que iniciei a sua divulgação. Sem o blog o projeto das consultas não teria o mesmo impacto. Mas o blog é mais do que um veículo de informação, é uma forma de eu trabalhar, é também uma forma de ajudar as pessoas. Diariamente, respondo a questões e dúvidas, motivo e dou alento a quem me procura.

As pessoas têm cada vez menos tempo, mas em contrapartida preocupam-se cada vez mais com a sua saúde. Neste contexto, as consultas online tornam-se numa mais-valia? Dares consultas através das plataformas digitais foi para ti uma decisão ou algo que acabou por se proporcionar?

Dou consultas online há 8 anos. Falava com pessoas que queriam ter consultas de nutrição comigo, mas tal não era possível ou pela distância física, ou surgiam as desculpas do trânsito, do trabalho, da falta de tempo. Vivemos, sem dúvida, sob a tirania do tempo e não podemos descurar a nossa saúde, pelo que decidi criar o este tipo de serviço de consultas de nutrição. Em qualquer lado, a qualquer hora (o horário das consultas é alargado e vai de encontro às necessidades de cada um), é possível ter uma especialista à distância de um clique. Se já fazemos tanta coisa online, como ir ao supermercado ou comprar roupa, porque não ir ao nutricionista? Achei que era possível e coloquei a ideia em prática. Introduzir facilidades para que mais pessoas se cuidem.

Muitas pessoas acham que quem procura nutricionistas, fá-lo apenas porque quer perder peso, mas não é bem assim pois não?

Essa é a parte mais visível, a mais procurada. Mas a nutrição é bem mais abrangente. A escolha correta de alimentos pode tornar-se um método inevitável na prevenção e cura de certas doenças, e fazer a diferença na prática desportiva. Além dos problemas de peso, de distúrbios alimentares, sigo pessoas com problemas cardiovasculares, diabetes, oncológicos, atletas, e renais. Além disso, várias pessoas que pretendem ser vegetarianos ou vegans recorrem a consultas de nutrição para fazer a transição da forma mais saudável possível.

Publicaste o teu livro “A minha Dieta” em 2015. Como é que o teu livro “aconteceu”, quanto tempo demoraste a compilar as tuas receitas e a que público se destinam?

Um dia ligaram-me da Lua de Papel, a minha editora, para marcarem uma reunião, tinham visto o meu blog e queriam conversar comigo. O meu livro conta a minha história, a minha luta com a balança, e explico a dieta que funcionou comigo e funciona com quem a segue: não é uma dieta, é reeducação alimentar. As receitas do livro foram pensada para o mesmo, não estavam no meu blog. Foi um processo rápido.

Voltando ao mundo digital, hoje em dia somos bombardeados com hashtags #fitcenas de pessoas que comunicam para milhares de seguidores sem qualquer base científica e apenas porque vão ao ginásio 5 vezes por semana e porque são adeptas das dietas A, B e/ou C. Temes as consequências deste mar de desinformação que está a ganhar proporções dantescas?

Preocupo-me bastante com esta desinformação. A saúde é o nosso bem mais valioso, e custa-me que se brinque com ela. Ainda há dias uma pessoas com milhares e milhares de seguidores difundiu que a clorofila é o principal constituinte da hemoglobina e como tal incentivava o consumo de uma planta X, que era comercializada por um indíviduo Y. Não devia valer tudo para vender. A saúde não é uma moda, e não é por comermos todos os dias várias vezes ao dia que somos todos especialistas. Outro problema que me deixa em nervos: não se saber ler ciência. Há quem perante um artigo não perceba se é válido ou não, e com isso também se difunde muita informação errada.

Encaras estas personalidades fit como uma concorrência desleal?

Não. Não são concorrência, porque eu pretendo divulgar o correcto, elas pretendem… não sei bem o quê…

Aprendi contigo duas palavras que fazem agora parte do meu dia a dia “equilíbrio” e “consistência”. Queres explicar um pouco melhor a sua importância e juntar mais alguma que te pareça fundamental para quem quer adotar hábitos saudáveis e mantê-los?

O equilíbrio é a base de tudo. Seja qual for o assunto, não devemos ser radicais, e na alimentação é igual. Eu não sou talibã da alimentação, nem sou fundamentalista em relação a um estilo de vida saudável. É preciso ser saudável a maior parte dos dias? Claro que sim! Mas deve haver espaço a umas asneiras, a uns dias sem treinar, momentos diferentes. A reeducação alimentar ensina-nos a ser saudáveis, uma dieta desequilibrada não. E por outro lado, não podemos querer resultados incríveis quando não temos comportamentos maioritariamente incríveis, aí entra a consistência

Acreditas em alimentos bons e alimentos maus?

Acredito em quantidades boas e quantidades más, um alimento bom em excesso… deixa de ser bom. Há alimentos para todos os dias, e há alimentos para dias de festa.

Qual o teu conselho para que não sejamos manipulados por estratégias de marketing que envolvam códigos de desconto, labels “sem glúten” e sem lactose”. Faço-te esta pergunta porque se uma pessoa começa a juntar todas estas red flags na hora de ir ao supermercado, sai de lá com o saco vazio…

É fundamental sabermos filtrar a informação. Não há milagres, não há truques e atalhos. Atenção a quem promete isso.

A frase “somos aquilo que comemos”, é mesmo verdade?

Sim, é verdade!

E agora para terminar! No teu blog também partilhas semanalmentereceitas saudáveis. Posso desafiar-te a escolheres uma que consideres que tem tudo que ver comigo! Estou mesmo curiosa!
A tua receita tem de ter abacate! Escolho um smothie de abacate e morangos:
  • ½ abacate
  • 4 morangos
  • 1 iogurte 0% ou 100 ml de bebida vegetal sem açúcar
  • 2 colheres de sopa de flocos de aveia integral
  • 1 colher de sopa de sementes de chia
  • canela

Colocar tudo no liquidificador.

Proust, desculpa mas vou roubar-te 5 perguntas:

1. O que mais aprecias nos amigos? Lealdade, Ternura, presença (quem saiba estar nos maus, e nos bons momentos- acho que só os amigos sabem lidar com sucesso e bons momentos), sinceridade e sentido de humor
2. Qual o teu passatempo favorito? Rir, viajar, cozinhar e estar à mesa com quem gosto
3. Qual a tua noção de felicidade? Sentir-me em casa, mesmo que casa seja um estado de espírito
4.Qual o talento natural que gostarias de ter? Saber cantar
5. Qual teu lema favorito? Em equipa tudo é mais fácil e faz aos outros o que gostavas que te fizessem.

Podem encontrar a Nitricionista por aqui, aqui e aqui.

Leila Gato 

2 thoughts on “Ana Ni Ribeiro – A (minha) Nitricionista”

  1. Leila 🙂
    Adorámos a entrevista da Nitricionista! Cada vez mais estamos conscientes da necessidade de ter uma alimentação, acima de tudo, equilibrada. Nem sempre é fácil… A Susana é mais “educada” nesse sentido do que eu. Se bem que a vontade de fazer diferente está cá e a necessidade também. Quando estamos mais conscientes de nós, quando estamos em sintonia com o nosso ser, a preocupação com uma alimentação mais saudável (o respeito pelo nosso corpo), torna-se evidente. Uma coisa é certa! Vamos “seguir” a Nitricionista e aprender com ela.
    Beijinhos

    1. Olá 🙂
      Uma alimentação equilibrada é sinónimo de que estamos em sintonia com o nosso corpo e a nossa cabeça (não adoro a palavra “mente” porque não sei ao certo o que está lá dentro).
      Comer bem não é difícil, basta comermos sem sentirmos que estamos a fazer sacrifícios e perceber que não temos de nos restringir de tudo. Depois o resto vem por acrésimo, o corpo responde melhor, treinamos de forma mais eficiente e enérgica, estamos mais atentos, respiramos melhor, descansamos ainda melhor e há uma energia a fluir por todo o lado. Parece anúncio de TV, mas é mesmo assim.
      Fico feliz por vos ter dado a conhecer a Nitricionista 🙂 é um gosto poder partilhá-la.
      Beijinhos

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