Coisas da Gato

de 14 a 20 de maio

O 3 coisas da semana passada chega com algum atraso, mas melhor tarde que nunca! 🙂

O encontro dos amigos no miradouro dos betos e dos “estranjas”

Tenho um grupo de amigos que se encontra para aí uma vez por ano! Embora sejamos apenas quatro, conciliar as agendas “dos divos” não é tarefa fácil e as marcações e desmarcações no messenger ao longo de meses dava uma longa metragem indiana. Quando vilslumbramos a luz ao fundo do túnel e  conseguimos estar juntos é como se nos tivéssemos acabado de despedir no dia anterior.

Acabámos a noite receosos, não fôssemos nós arranjar uma intoxicação alimentar coletiva no restaurante japonês que também era chinês e onde se formou uma cascata de água com nascente num dos candeeiros do teto. Tenho cá para mim que jantar naquele lugar é só para quem gosta de brincar com a própria vida. Acabou por ser o pior e melhor jantar de todos os tempos!

You were never really here de Lynne Ramsay

Quando era mesmo muito miúda vi aquele Commodus, interpretado por Joaquin Phoenix, do Gladiador  e pensei cá para mim, “este gajo é um assombro, este gajo vai chegar mesmo longe”. Ainda hoje sinto calafrios nalgumas das cenas e diálogos de um filme que o tempo tornou banal, mas que na altura retomou um género meio esquecido no plano cinematográfico . Posto isto, sou fã a valer do Joaquin Phoenix e da sua versatilidade como actor. Acho mesmo que ele faz parte daquele grupo dos óptimos que ainda não viram a luz do Óscar e que assim se devem manter para depois não se meterem a fazer em sarilhos (que é como quem diz, a fazer filmes que não têm ponta por onde se pegue).

You were never really here, não é um filme que agrade a todos. Primeiro, não tem uma narrativa linear. Segundo, não tem muito diálogo de circunstância. Terceiro, não aborda um tema do dia a dia (a exploração sexual infantil, embora exista nos mais diversos meios sociais, não é um desbloqueador de conversa agradável).

Posto isto, a realizadora mais conhecida por We need to talk about Kevin (outro tema nada agradável), volta a pôr o dedo na ferida, adaptando o livro de Jonathan Ames à grande tela.

Não me vou alongar, mas acho que é um filme que merece ser visto e apreciado com aqueles três pontos em mente. É talvez, uma das melhores coisas que vou ver este ano no Cinema. Deixo uma imagem do poster, que tem por base uma imagem de uma cena lindíssima, e que me fez lembrar das fantásticas fotografias da Susana Majuri de quem já falei aqui.

Acabei a última página do Walk through walls de Marina Abromovic

Eu sou daquelas que aquando está mesmo a amar um livro, em vez de o ler freneticamente, põe-se a boicotar os momentos em que se pode armar em intelectual e, em vez de o acabar porque “não consigo parar”, obrigo-me a fazê-lo para que dure mais. É estilo sexo tântrico mas sem a parte sexual.

Bem que a Susana me tinha dito que este era o melhor livro de auto-ajuda que se podia ler ou dar a ler. Marina Abromovic tem uma história de vida incrível e é movida por uma força inumana. O que mais me caitvou nas suas memórias é a forma como a palavra “coincidência” é desprovida do seu real significado à luz daquilo que nós identificamos como tal. Se calhar, nesta vida não há mesmo coincidências, tudo tem um desígnio, uma razão de ser e tudo é uma preparação para algo que ainda está por vir.

Para aqueles que não compreendem bem o que é a arte performativa e quiser perceber como esta forma de arte é algo muito mais profundo e necessário para uma evolução cultural despida de preconceitos, recomendo vivamente a leitura: acreditem que é mesmo viciante!

Este vídeo também vos ajuda a ficarem a conhecê-la melhor e o impacto que a sua arte tem nas pessoas que com ela se cruzam. Acho mesmo que se me sentasse à frente dela durante uns minutos que fosse, me desfazia em lágrimas. Em breve, conto-vos parte de duas das histórias deste livro que mais me marcaram.

Marina Abramović, Rhythm 0 (Ritmo 0), 1974. Performance, 6 horas. Studio Morra, Nápoles, Itália

Boa semana a todos!

Leila Gato

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