A Gato come

Ghoroa Restaurant Lisboa ou a vã glória de comer (e opinar)

As cores, aromas e sabores da Índia do Ghoroa Restarant Lisboa transformaram um simples almoço de domingo num manjar digno dos deuses (indianos)!

Não sabíamos ao certo ao que íamos, apenas que as recomendações eram numerosas e todas elas francamente positivas. Encontrar este restaurante é desde logo uma surpresa, situa-se numa travessa de esquina com a Mouraria e tem uma entrada bastante simples e de pequenas dimensões(“o que será que nos espera”, pensamos). Mas nessa mesma entrada fomos logo recebidos de sorriso rasgado e braços abertos, como se estivessem à nossa espera. Subimos as escadas para a sala do piso superior e os aromas começaram a invadir-nos e a levar-nos para lugares com os quais apenas sabemos sonhar e imaginar, ao som das melhores bandas sonoras e imagética de Bollywood. Convém ainda salientar que toda a refeição foi feita com um acompanhamento em termos de serviço muito simpático e disponível (mesmo com a particularidade de sermos portugueses e a pessoa que nos atendeu só conseguir comunicar connosco em Inglês).

Chegados aqui, falemos sobre comida porque a Gato gosta é de comer

De entrada pedimos umas samosas de vegetais e outras de carne. Apenas provei a de vegetais que estava deliciosa. Estaladiça ao primeiro embate entre os dentes e suculenta qb ao saboreá-la lentamente. No dia a dia não sou fã deste tipo de comida nem das muitas variações que existem nos típicos cafés e pastelarias, mas em restaurante étnicos costumo provar sempre e, arrisco-me a dizer, que estas foram das melhores que já comi. Acho que melhores que as do Cantinho do Aziz (perdoem-me os fiéis).

Ao mesmo tempo que chegaram as samosas, vieram também os paparis (oferta da casa) e os naans de alho e coentros. Uma única nota negativa sobres estes naans que poderiam estar um pouco mais crocantes para o nosso gosto, porque quando combinados com os diferentes molhos parecia que ficam ainda mais moles. Não estavam ao nível da restante comida e mancham uma refeição quase perfeita no equilíbrio qualidade-autenticidade-preço. Curiosamente sou fã de pão mal cozido, só não o sou quando se trata de naans.

Portanto, em termos de entradas estamos arrumados. Por esta altura a mesa já estava cheia, e entre um gole de vinho (um Evel tinto a bom preço face ao praticado em muitos restaurantes lisboetas) e outro de água e muitos dedos de conversa, chegaram os pratos principais que eram todos de comer e chorar por mais, tendo sido o arroz de cominhos, simples e equilibrado, o acompanhamento eleito para todos eles.

Frango Makhani: Para pessoas não sejam fãs de manteiga, não é um prato aconselhável, para pessoas que podiam comer manteiga com pão ao pequeno almoço, este pode ser uma aposta ganha. Na realidade, parece-me tornar-se uma opção de prato mais adocicado que contrabalança com todos as outras iguarias mais condimentadas que se possa escolher num restaurante indiano. Nota máxima para o molho que envolvia os pedaços de frango suculentos que nos foram servidos.

Seguiu-se depois o Camarão Dopiaza, um dos grandes eleitos pelos restantes comensais. Que dizer? Picante, com camarão e legumes frescos cozinhados e envolvidos em todos aqueles aromas próprios das especiarias indianas. Entre estes legumes, a cebola é rainha, misturando-se diferentes tipos de cebola que quando refogada chega a caramelizar contribuindo para uma experiência gastronómica ainda mais rica.

Escolhemos Borrego com caril Madras, possivelmente um dos pratos mais popularizados da Comida Indiana (muito por culpa dos restaurantes ingleses) e este estava exemplar. No Ghoroa, além das especiairias e molhos muito equilibrados, privilegia-se a qualidade das carnes usadas, o que resulta depois numa refeição tão agradável que nem damos pela nossa língua começar a arder enquanto provamos este e outro prato. E arde efetivamente para quem esta habituado apenas a restaurante indianos que servem e procuram agradar ao palato ocidental e mais avesso a picantes fortes.

De facto, sobre a minha língua, devo dizer que a esta altura mal a sentia. Já dizia o poeta quando falava no comprazimento da dor como forma de atingir o nirvana (eu sei, é um grande contra-senso) mas se é isto que é preciso fazer para atingi-lo, ofereço-me como voluntária.

O último dos quatro pratos principais foi o Borrego Rogan Josh (o meu favorito). A carne, bem essa desfazia-se na boca repleta do molho feito com (tambores a rufar) alho, pimentos assados, paprika, gengibre, garam massala, açafrão, óleo de amendoim, malagueta, cominhos, coentros e sementes de coentros e claro, mais pimenta preta.

Para o fim ficou a sobremesa, umas Golab Jamon que não sendo o momento alto da refeição, e apresentando um preço pouco condizente com a quantidade e os demais preços da carta no que respeita aos pratos principais, acompanham muito bem com o café.

Se visitarem o site do Ghoroa Restaurant Lisboa podem ler a seguinte frase:

Ghoroa é a palavra bangladeshiana para casa e neste espaço gostam de receber os clientes como em casa de amigos.

E foi realmente assim que nos sentimos neste almoço de família, em casa.
Leila Gato
Ghoroa Restaurant Lisboa Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

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