Gato em dia

Rolava a cabeça ensanguentada de Marie Antoinette

Rolava a cabeça ensanguentada de Marie Antoinette pelo chão imundo de Paris. Foi apanhada por um parisiense gordo, baixo, calvo e narigudo, Pierre de nome, carrasco de profissão.

Ao mesmo tempo, andava o resto do seu corpo sem cabeça a correr, louca como um pente à procura da sua cabeça, perfumada, altiva e imponente. Marie Antoinette estava desnorteada, louca e capaz de entornar um copo de água no deserto. Quando não temos a cabeça é mais difícil ir dar com os lugares certos, por isso entrou numa gruta escura, pensando que ainda estava na sua corte, a de Marie Antoinette que conheceu outrora.

Gritou ao chamar por alguém, voltou a gritar e gritou novamente, e pensou ouvir outra voz que lhe perguntou porque estava ali e porque gritava tanto. O corpo de Marie Antoinette quebrantou-se, as mãos dirigiram-se ao lugar do céu e respondeu naquele que foi o seu último sopro, mudo de terror: “Porque quero ser livre”*.

Leila Gato

*Texto criado a partir de cadavre exquis das seguintes palavras e expressões: Marie Antoinette / Narigudo /Louca como um pente /Entornou um copo e água no deserto / Gruta /Na corte de Marie Antoinette / Porque quero ser livre

O exercicio coletivo consiste na composição de um texto surreal que desenvolva as palavras/expressões acima, a partir das linhas base compostas pelo grupo.

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