3 coisas da Gato

de 5 a 11 de março

Esta semana iniciei um sonho que há muito queria concretizar, celebrei o Dia da Mulher de uma forma diferente e fui ao Teatro!

A minha primeiríssima aula de Aguarelas

Não posso dizer que tenha subido as escadas da Nextart nervosa, até porque já me sinto como se fosse daquela casa que me sensibiliza cada vez mais para as artes plásticas através da formação.

O Professor Filipe Matos foi muito cuidadoso com todas as explicações e primeiras noções nesta primeira aula. Embora esta tenha sido mais teórica (fomos avisados desde o primeiro minuto que assim seria) a verdade é que me foram ensinadas algumas questões (básicas) sobre os materiais e a forma como se comportam, como os posso organizar, arrumar e transportar. Nesta primeira “paragem” no mundo das aguarelas houve ainda tempo para uns primeiros ensaios e primeiras noções sobre valor, tom e saturação da cor. Noções elementares, mas que fazem toda a diferença quando começamos a perceber os truques, técnicas e “manhas” das aguarelas.

Não podia estar mais entusiasmada com este início de viagem!

Feliz Dia da Mulher!

Ignorando todas as grandes estratégias comerciais de marcas que usam estas datas para se aumentar vendas ou simplesmente desviarem a atenção de outros temas mais importantes, o que faço em dias como este é pensar em como podemos  evoluir mais depressa se caminharmos para um mundo em que independentemente do nosso género estejamos no mesmo patamar com os mesmo direitos e deveres. Não se trata de ser um melhor que o outro, somos iguais, homens e mulheres, somos mesmo. Se há coisa que temos de ensinar aos nossos filhos e filhas é que vejam na igualdade a melhor forma de se relacionar com o próximo.

Mas estou para aqui a fugir da minha “coisa número dois”. Neste dia 8 de março, não me senti espectacularmente bem, algum cansaço e fadiga fizeram de mim uma mulher a viver um dia menos positivo. O meu marido “receitou-me ir para casa” descansar e sugeriu-me alhear-me de ligação ao mundo digital. E assim fiz, com o bónus inesperado de um jantar que me bateu à porta e que fez as delícias da minha noite que terminou no sofá aninhada aos três gatos da família. Foi uma espécie de “Sopas e descanso” com upgrade.

O Deus da Carnificina

Yasmin Reza escreveu a peça Le Dieu du Carnage que se tornou conhecida do grande público em 2011, ano em que Roman Polanski resolveu adaptar este texto dramatúrgico a filme. O resultado foi uma obra simples e comedida mas que roça a perfeição em muitos momentos através dos desempenhos magistrais do elenco de luxo conseguiu reunir.

E foco-me nesse ponto porque este é um texto extremamente rico em subtilezas e que vive das várias camadas de todas as personagens que vão sendo postas a nú à medida que o diálogo entre os quatro se vai desenvolvendo naquela sala de estar. A encenação de Diogo Infante pega exatamente nesse ponto e na forma como uma conversa entre dois casais sobre uma luta física entre os seus filhos de onze anos ( e sobre a melhor forma de lidar e resolver a situação) se vai progressivamente transformando numa luta e determinação de forças (porque o Homem parece ter nascido para atos de violência apenas apaziguados pela regras sociais) .

Questões como o “politicamente correto”, a hipocrisia do dia-a-dia, a moral social e a indiferença entre os que nos são mais próximos servem de mote para as diversas situações que vão ocorrendo ao longo da peça criando um círculo initerupto que nos leva a refletir sobre até que ponto é que a nossa Humanidade não está “acorrentada” a princípios que nem nós próprios reconhecemos como “naturais”.

O Deus da Carnificina em cena até 28 de abril no Teatro da Trindade

Autoria: Yasmina Reza
Tradução, Versão e Encenação: Diogo Infante
Com: Diogo Infante, Jorge Mourato, Patricia Tavares e Rita Salema
Cenografia e adereços: Catarina Amaro
Desenho de Luz: Tânia Neto
Espaço Sonoro: Rui Rebelo
Assistência de encenação: Isabel Rosa
Direcção de Produção: Ana Rangel e Miguel Dias
Coprodução: Teatro da Trindade INATEL e Plano 6

Leila Gato

2 thoughts on “de 5 a 11 de março”

  1. Não há nada que a Leila não faça 🙂 e este cursinho das aquarelas já estou desejosa de ver os resultados !! A verdade é que nos primeiros anos que morei sozinha também pintava em casa – não que alguma vez tivesse surgido obra digna de um MoMa mas a verdade é que o tempo diante de uma tela , nessa dança de misturar cores e fazer os riscos contarem alguma história era uma tarefa super relaxante …. cara… mas relaxante 🙂
    Divete-te e depois partilha os progressos !! Beijinhos

    1. Devo dizer que após apenas duas aulas de aguarelas, o meu nível de frustração cresceu de forma incrível. Nunca pensei que as aguarelas fossem tão difíceis! Agora sinto que preciso de derrotar este dragão que está a tentar minar o meu entusiasmo. Veremos como me correm as próximas lições!! Beijinhos

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