A Gato fala com...

Célia Lourenço

E para celebrar o dia da Mulher nada melhor que publicar uma entrevista com uma que vale mesmo a pena conhecer!

A Célia e eu, além de amigas, somos família. Realmente não é só o sangue que une as pessoas num mesmo clã, as afinidades e outras coisas que o nosso sexto sentido dita também o faz. A vida faz-se de escolhas, e a Célia teve de fazer algumas que a levaram em direção a terras de sua majestade há anos atrás para alcançar novas metas ao aceitar uma oportunidade de trabalho. Além do trabalho e da investigação que faz, a Célia é uma doceira de mão cheia e ainda tem tempo para nos adoçar os olhos, mas vamos lá ver então o que faz da Célia uma pessoa que eu quero que conheçam melhor.

Célia, diz-me lá “tu és mais bolos” certo? Quando é que te apercebeste que a doçaria te encantava tanto?

Eu sempre fui mais bolos, entre doces e salgados escolho sempre os doces! Quem me conhece já sabe que eu guardo sempre espaço para a sobremesa.

A minha avó materna fazia um pão-de-ló dos deuses, e lembro-me de ser miúda (8-10 anos) e comer desalmadamente várias fatias sem esforço algum. Aos 12 ou 13 anos tentei partir um ovo, claro que não correu bem! Fui expulsa da cozinha nesse mesmo instante.

Tens noção do primeiro doce que fizeste sozinha? E… correu bem?

Penso que foi um salame de chocolate. Algo muito fácil, que o meu irmão adorou e pediu para repetir.

As Formigas do Açúcar estão novamente em força. Que tipo de doces gostas mais de fazer atualmente?

O projecto Formigas do Açúcar nasceu em 2012 como negócio online de venda e entrega de bolos decorados com pasta de açúcar. Os amigos disseram que eu tinha jeito, eu acreditei! Incentivaram-me a criar as Formigas do Açúcar. Como emigrei para a Inglaterra em 2013, actualmente giro a página das Formigas do Açúcar como blog pessoal onde partilho a minha experiência na cozinha e as receitas de que mais gosto, bolos, cupcakes, bolachas, muffins, etc.  Actualmente não faço tantos bolos em pasta de açúcar como gostaria, são bastante trabalhosos, na verdade é uma arte! Ultimamente dedico mais o meu tempo a outras receitas que nunca tinha experimentado antes, todas elas envolvendo técnica e precisão. Macarrons, pastéis de feijão, etc. e outros bolos sem pasta de açúcar, os chamados naked cakes.

eu provei estes pastéis de feijão no Natal e sim, são tão bons como parecem

 

E aqueles bolos lindos em pasta de açúcar que costumavas fazer, tens conseguido dedicar-te a essa arte?

Actualmente não tanto como gostaria.

E falando de outras coisas. Quais foram as grandes diferenças que sentiste quando te mudaste para Inglaterra?

Andar no sentido contrário do trânsito; a falta de sol; pedir desculpa mil e uma vezes por dia por tudo e por nada; a organização; o poder económico; o estilo de vida.

E do que sentes mais falta?

Da família e amigos; do sol, da luz e o brilho das manhãs de Inverno em Portugal; das esplanadas à beira mar; do por-do-sol no miradouro da Graça em Lisboa; das noites quentes de Verão; dos pães-de-Deus da Padaria Portuguesa; dos Pastéis de Nata.

Diz-nos uma coisa que os ingleses fazem e que adorasses que os portugueses também fizessem.

O respeito pelos animais.

Falando dos teus projetos profissionais. Queres partilhar o que te levou para aí? Qual foi o desafio na altura?

Vim à procura de uma realização profissional, o meu doutoramento.

E para leigos como eu sobre o tema, explica-nos lá melhor do que se tratava?

O corpo humano emite compostos químicos voláteis (i.e. emitidos em forma de gás) que podem ser detectados em pequenas concentrações através do uso de técnicas analíticas de alta precisão e resolução. A hipótese científica assume que o corpo humano durante o desenvolvimento de uma doença emite diferentes padrões de compostos químicos, uma vez comparado com o corpo humano saudável. Ao tentar desenvolver um metodologia que identifique com grande sensibilidade e especificidade os pacientes com a doença, através da análise de uma amostra do ar expirado; gases emitidos por fezes ou urina; e outras matrizes biológicas emitidas pelo corpo humano, estaremos na direcção de encontrar indícios para um diagnóstico precoce de doenças tão mortíferas como o cancro, e de uma forma indolor, não-invasiva. Ou até mesmo para aquelas doenças para as quais ainda não existe diagnóstico precoce, ou os testes laboratoriais existentes são morosos e pouco sensíveis.

Qual a maior aprendizagem desse projeto?

“Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less.” by Marie Curie (1867-1934).

E agora o que estás a fazer? A que te dedicas profissionalmente?

Investigação científica, por outras palavras, sou cientista. Sempre fui muito metódica, objectiva e precisa, daí talvez a origem do meu gosto pela pastelaria. Que na realidade é uma ciência, uns gramas a menos de farinha e zás! Bolo arruinado. A pastelaria requer precisão e rigor tal como a investigação científica.

Diz-me uma coisa que adores em Inglaterra?

Os espaços verdes, lagos e campos.

O que é para ti uma tarde de domingo perfeita?

Chávena de chá English breakfast, manta, sofá, fatia de bolo, e a companhia perfeita.

Se te fosse dada a oportunidade de fazer o que fazes em Portugal com as mesmas condições, voltavas?

Portugal será sempre o meu país, onde nasci e cresci, onde ficaram recordações e família. Sim voltava.

Que conselhos dás a jovens que como tu se aventuram por países que não o seu?

Ao percorrer o vosso percurso, por vezes este poderá ser sinuoso. Nem sempre é fácil viver num local com um estilo de vida totalmente diferente do nosso, uma língua que temos de aprender, longe de tudo e de todos. Irão encontrar obstáculos, vão ter de saltar barreiras por vezes… Mas ao cortar a meta em primeiro lugar, o sentimento de conquista é enorme! O maior conselho é seguir em frente e nunca desistir.

Proust, desculpa mas vou roubar-te 5 perguntas:

Qual a tua ideia de felicidade? Felicidade é ter as pessoas que amamos à nossa volta. Felicidade é ser feliz pelas pequenas coisas.

Qual o talento natural que gostarias de ter? Tocar piano como o Mozart.

Qual a tua cor preferida? Azul

A tua figura feminina preferida na História é? Marie Curie.

Qual o teu lema? Perseverança, esforço e dedicação.

1 thought on “Célia Lourenço”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *