Curso Escrita Criativa - Nextart
Gato em movimento

Curso de Escrita Criativa – Iniciação Nextart

Iniciei este curso a 18 de novembro

Levava a minha saia cor-de-rosa e o meu casaco cinza e fui com um nervoso miudinho de quem não sabe ao que vai. Estava a cinco minutos de chegar atrasada à primeira sessão e isso para mim significaria uma primeira derrota, ainda antes de começar.

Felizmente, o edifício da Nextart era bem mais próxima da saída do metro do que eu pensava, cheguei atrasada uns dois ou três minutos, mas ainda faltavam outros tantos colegas. A Carlota, a nossa professora, recebeu-me de forma simpática e com um sorriso na cara e entregou-me papéis para ler e assinar.

O nervoso miúdo deu lugar a uma calma por sentir que estava entre iguais a mim com as mesmas ansiedades, dúvidas, mas muita vontade de descobrir o que nos fez sentar naquelas mesas e querer saber mais sobre o mundo da escrita e o ato de escrever.

O primeiro exercício: O “roteiro do acaso”

Através de perguntas meio loucas e cujas respostas nos faziam sentir da nossa zona de conforto, fomos entrevistando o nosso colega de mesa e anotando as suas palavras. Depois tínhamos de criar duas perguntas e também fazê-las ao nosso colega. Eu perguntei ao Domingos qual o antónimo de faca e qual o seu maior medo. A partir daí, só tínhamos de organizar o texto que seria uma pequena biografia do nosso colega. Eu li o meu texto sobre o Domingos e senti o silêncio no final da última frase que proferi. Um arrepio. Levantei os olhos e vi os meus colegas com ar enternecido e o Domingos a tirar os óculos para secar umas lágrimas que lhe caíam rosto abaixo.

Os colegas felicitaram, o Domingos disse que eu com uma voz baixa consegui encher a sala e que consegui dizer coisas sobre ele que ele não conseguiria dizer. Por mais feliz que tenha ficado pelo feedback a quente, a verdade é que o ouro foi-me dado por ele, eu só tive de fazer a composição das suas próprias palavras.

A Carlota incentiva-nos a criticar construtivamente os textos que os nossos colegas lêem para podermos trocar ideias e chegar a conclusões que depois nós próprios podemos aplicar nos exercícios seguintes. Criticar para construir. Escrever é um ato solitário mas que não tem que ser aprendido a sós.

Depois de alguma informação de cariz mais teórico sobre origem da palavra “criatividade”, foi a vez de um exercício individual.

O exercício do “gosto” e “não gosto”

É incrível como normalmente é muito mais fácil indicar as coisas de que gostamos do que as que não gostamos. E foi sobre a questão das coisas de que não gostamos que a Carlota abordou o tema dos tropismos. Um impulso inexplicável que nos faz não gostar de algo, por exemplo não gostar de um sabor devido a uma má experiência no passado. Pode ser um conceito ou um objeto muito interessante num processo criativo que foi estudado pela francesa Nathalie Sarraute. (Sobre este tema escreverei muito em breve, depois de ler alguns artigos que pesquisei).

As aulas são mensais, o que quer dizer que nós ficamos com mais que tempo para ter não um, mas dois ou três trabalhos de casa. E que saudades tinha eu de trabalhos de casa. Mas sobre isso, falarei também numa próxima oportunidade.

Mais alguém desse lado com vontade de fazer um curso ou workshop de escrita criativa?

Leila Gato

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